terça-feira, 8 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
358-A Copa e o legado
Se as arenas
construídas para a Copa 2014 ficarão como legado ao povo brasileiro, segundo
afirmações da presidente, então, para ela, um 'presente de grego' também deve
ser muito bom.
Realmente, o Brasil
vai de mal a pior, em todos os sentidos. Um país à deriva, ao sabor de qualquer
vento, entregue à própria sorte. Mas, como isso pode ter acontecido? Evidente
que a causa principal é que os últimos eleitos governaram somente para o seu
partido, favorecendo diretamente os seus propósitos.
Olharam apenas para
si, esquecendo-se de cumprir a agenda tão prometida e tão esperada. Nada, nada
foi concluído nesse longo período, a não ser mostrar o grande empenho em
controlar o Estado bem ao estilo bolivariano.
Por incrível que
pareça, o viaduto desabado em BH, que deveria ter sido uma obra de mobilidade
urbana, a ser concluída na Copa, e um legado ao povo brasileiro, transformou-se
em uma tragédia e acabou virando um monte de entulho que não serve para nada.
Muito dinheiro público jogado no lixo.
Os governantes apoiaram-se
na demagogia de formar uma gigantesca base aliada para governar, entretanto, em
nome da governabilidade, as intenções eram totalmente diferentes: serviam para
dominar sorrateiramente todas as esferas do governo, e assim perpetuarem-se no
poder. Um governo que conseguiu comprometer a democracia e a instituição
presidência da República. Nada mais que isso.
O respeito do poder
central com a nação e com os seus cidadãos é de tal ordem que só faz aumentar o
descrédito nos políticos. Uma realidade que dói a todos, profundamente. O
governo central acabou, sem ao menos ter existido! A anarquia tomou conta de
tudo, deixando a população à beira de um ataque de nervos.
O cidadão perdeu a
capacidade de indignar-se com a injustiça e com o errado. São muito poucas as
vozes que se levantam e perseveram na divulgação crítica aos descalabros que
vêm afetando o país. A necessidade de ampliação ou reverberação dessas vozes é
fundamental para mostrar o verdadeiro sentido de contestação de uma população
oprimida. Inclusive, o rolo compressor da opressão passa também sobre as
cabeças dos jornalistas mais acessados na internet. Perseguições assim
fazem parte da agenda de governo.
Da mesma forma que o viaduto não resistiu nem
à chegada de sua inauguração, as outras obras da mesma empreiteira também estão
sob suspeitas. Sem falar no Minha Casa, Minha Vida, que são construções
precárias, de pouca duração, pois são muitas as reclamações a esse respeito. De
concreto, mesmo, só as promessas!
Celso Pereira Lara
sexta-feira, 4 de julho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
356-Copa da bola dividida
Um
evento voltado exclusivamente para o luxo só poderia resultar na insatisfação
da população. Principalmente porque os governantes não se cansam de repetir que
o governo do PT está empenhado no combate à pobreza e à miséria.
A Copa do Mundo serve
para mostrar o diferencial ainda existente e muito grande entre a elite
tradicional e os setores populares. De um lado, um grito pelo gol da seleção
brasileira; do outro, um grito dos excluídos.
O governo do PT faz
eventos para a elite branca, mas afirma que a Copa é para o povo brasileiro e
que deixará para ele um grande legado. Ou estaria deixando elefantes brancos,
dispendiosos, custeados pelos contribuintes de impostos?
O grande esquema de segurança
no entorno dos estádios serve para garantir a realização do evento e proteger a
todos que pagam altos preços para assistir das arquibancadas e dos espaços Vips
a atração futebolística mundial. Garantir a Copa e proteger a elite dos
manifestantes que estão contra os gastos bilionários com as arenas foram as
principais preocupações das autoridades governamentais.
Entretanto, o forte
esquema de segurança não foi suficiente para impedir a onda de vaias
direcionadas à presidente da República, durante a cerimônia de abertura dos
jogos, na Arena Corinthians. Foi um vexame transmitido ao vivo para o mundo.
Em meio a toda essa
confusão e na tentativa de encontrar os verdadeiros culpados pela desonra à
chefe do Governo, o ex-presidente acusa frontalmente a elite branca pelas
vaias, e, na outra ponta, tentando desviar o foco, o vice-presidente do PT faz
ameaças aos blogueiros e comentaristas de jornais, apresentando uma 'lista
negra' dos nove jornalistas mais influentes, culpando-os pelas vaias no
estádio. Mais um grande absurdo petista a ser registrado no livro dos recordes.
Os jornalistas foram acusados de espalhar o ódio de classe e a mentira, ou
seja, tudo o que o PT vem praticando há longos anos, para seguir a ideologia petista.
Por acaso, a filósofa petista, Marilena Chauí, não estaria incitando o ódio de
classe ao declarar que “odeia a classe média”? Ela enfatiza que “a classe média
é uma abominação política, ética e cognitiva porque ela é ignorante”.
Não há nenhum mérito quando
Lula incrimina a “elite branca conservadora” pelas vaias e xingamentos, pois o
PT é velho conhecido de todos e há anos vem fazendo justamente isso: insultando
a inteligência do brasileiro. Todos sabem que foi o próprio PT quem sempre
menosprezou a figura do Presidente da República ou Governo em geral,
desrespeitando o ocupante do cargo com agressões verbais e até físicas. O que
se pode concluir é que o PT está procurando motivos para enfeitar as suas
campanhas vazias e poder atacar a oposição daqui para frente, porque não há
nada confiável que se possa prometer à população para o próximo governo, a não
ser utilizar-se mais uma vez do discurso demagógico de governar a favor dos
pobres e para acabar com a miséria neste país, cuja intenção seria somente a de
conquistar votos dos inocentes úteis. Teríamos, então, mais quatro anos de um
governo alheio ao povo, atendendo exclusivamente às necessidades dos países dos
companheiros. Afinal, o socialismo serve bem para essas coisas.
A pergunta que se faz
no momento: quem vai entregar a taça ao campeão da Copa? Por medo de vaias, a FIFA
não sabe quem irá entregar a taça. A que situação chegou! Após as vaias que
recebeu na Cerimônia de Abertura da Copa do Mundo, o presidente da Federação
Internacional não deve ser o escolhido para entregar a taça ao campeão.
Normalmente, o presidente do país participa, mas Dilma também não tem grande
apelo dos brasileiros.
Independente das
vaias, a presidente não poderia aparecer por impedimentos da lei eleitoral,
assim como o vice-presidente e o pessoal do Congresso. Legalmente, seria o
presidente do STF, como presidente em exercício, ou algum senador que tenha
cargo de Mesa no Senado e que não será candidato. Assobiar e chupar cana, ao
mesmo tempo, é impossível. O imbróglio está criado!
Lembrando que, em
2007, Lula também foi alvejado por uma estrepitosa vaia, não no Itaquerão, mas
no Maracanã, quando da Cerimônia de Abertura dos Jogos Pan-Americanos. Talvez
seja por isso que ele ainda não tenha comparecido aos jogos! Vá ao estádio,
Lula!
Celso Pereira Lara
terça-feira, 24 de junho de 2014
355-Festival de barganhas políticas
O momento
é propício para as alianças, enquanto a Copa do Mundo diverte a população no
que ela mais gosta. No jogo político, que ocorre em paralelo, a disputa é pela
formação do maior time possível.
Na Convenção Nacional
do Partido dos Trabalhadores, realizada dia 21, o presidente do partido, Rui
Falcão, anunciou oficialmente a indicação de Dilma para a reeleição. A grande
novidade é que, aproveitando-se da oportunidade, o PTB rompeu com a candidatura
da presidente e anunciou o seu apoio ao tucano Aécio. Os discursos apresentados
pelos petistas, naquele ato, não passaram de ataques ao Governo tucano, aos
atuais partidos de oposição e à imprensa. Para o segundo mandato, a presidente
anunciou algumas propostas antigas, não cumpridas no primeiro mandato. Ela
ainda teve a coragem de afirmar: “Precisamos de mais oito anos para construir
uma obra à altura dos sonhos do Brasil”. Que obra seria essa? Mais oito anos?
Enfim, sempre mais do mesmo.
Que mudanças a
candidata vai propor em sua campanha eleitoral, se o PT esteve durante 12 anos
à frente do governo federal e nada foi realizado, a não ser as vergonhosas
obras das arenas para a realização da Copa no Brasil? E o povo está tão
indignado com esse mundial de jogos e com a gestão desse governo, a ponto de
vaiar a presidente em todos os eventos públicos em que ela está presente.
Neste ciclo de
convenções partidárias tudo é possível: salada mista ou bacanal eleitoral não
importa para os que preferem os interesses acima de tudo, deixando de lado as
ideologias do partido e a representatividade do povo. Aproveitem enquanto a
bola está rolando no gramado!
Com o PMDB rachado,
parte vai apoiar o PSDB, enquanto a outra parte permanece fiel ao apoio da
reeleição da presidente; no governo de São Paulo, o PSDB indicou um vice do
PSB; o PSB jura que vai apoiar o tucano Aécio; no Rio de Janeiro, o PMDB da
base da presidente fechou com o PSDB; o petista Lindbergh vai apoiar o Romário,
do PSB, para o Senado; o democrata Cesar Maia vai concorrer ao mesmo posto com
o apoio do governador peemedebista, Pezão. Paulinho, da Força Sindical, declara
apoio ao tucano Aécio. Isso é apenas uma amostra do que está rolando fora das
arenas. A política é mesmo muito sem-vergonha!
Não chega a ser
surpreendente o vazamento do plano B do PT: nas proximidades do dia das
eleições, a candidata à reeleição passaria mal e se internaria para tratamento
de sua doença (sendo verdade ou não), e Lula, então, seria indicado pelo PT
como sendo o potencial candidato a substituí-la. Eis uma boa razão para a
concretização do "volta Lula". E, para colocar mais pimenta malagueta
nessas eleições, Lula ameaça: “Essa campanha está correndo o risco de ser uma
campanha violenta”. Estaria sugerindo truculências? Sendo assim, ficaria bem ao
gosto dos radicais petistas.
Pelo visto, a
Convenção do PT deve ter sido um fiasco, pois a cúpula do partido está no
presídio. Coisas da política!
Celso Pereira Lara
quinta-feira, 19 de junho de 2014
354-Vaias na Copa
Se a
entrada para a abertura dos jogos, na Arena Corinthians, fosse permitida
somente aos participantes do Bolsa-Família, ou então somente aos petistas, será
que ao menos um deles teria a coragem de vaiar a presidente?
As opiniões que
reprovam as vaias que a presidente recebeu na abertura do Mundial de Futebol
ganhariam adesões se fossem em outro contexto. Entretanto, há, sim, que ser
levada em conta a situação em que o país se apresenta. Um governo que ainda não
cumpriu sequer uma de suas promessas de campanha, além de muitas outras ao
longo do mandato; que se preocupa somente em efetuar doações a países
comunistas; que prefere construir porto em Cuba; que conseguiu quebrar a
Petrobras; que gastou mais de 30 bilhões em obras de arenas; que mantém fortes
ligações com países ditatoriais; mergulhado de ponta-cabeça em corrupções, e
pela afronta ao STF e pelos deboches das condenações dos mensaleiros petistas;
enfim, um governo que insistentemente luta para calar de vez a mídia não merece
ser respeitado pela população. Não foi com essa finalidade que os brasileiros
elegeram o PT. Esse não é o governo democrático tão esperado, por isso está
sendo rejeitado pela maior parte da população.
A produção de livros
literários contendo expressões de baixo calão é inaceitável pela sociedade,
pois eles são considerados ‘lixo literário’. Portanto, não se admite apologia a
palavrões nos círculos de livros. Já em outras áreas, como no trabalho, no
restaurante ou nas ruas, o uso de impropérios é tão comum que na maioria das
vezes a pessoa que profere tais palavras nem se dá conta disso. É tudo muito
natural.
Como referencial,
podemos citar a atriz Cacilda Becker, uma das defensoras do palavrão: “Quando o palavrão vem dentro de um
espetáculo de cultura e atende às necessidades indiscutíveis de esclarecimento
do público – em todo o Brasil normalmente culto – faz parte da obra de arte e é
absolutamente justificado. Condená-lo é uma atitude, se não hipócrita, ao menos
ignorante”.
O escritor Graciliano Ramos, do alto de seu mau
humor, teria dito “outrossim é a puta que o pariu”. Fato que teria ocorrido na
redação do Jornal da Manhã, ao revisar o texto de um repórter. Verdade ou lenda
tem muito a ver com o seu temperamento de pavio curto.
Na Folha de São Paulo, em 8 maio 1993, “Lula
xinga o presidente e Eliseu em MG”: ”todo mundo sabe que o ministro da Fazenda,
Eliseu Resende, é um ‘canalha’ que tem compromissos com empreiteiros”. Em tom
de decepção, chamou Itamar Franco de ‘filho da puta’. Posteriormente, declarou
que não teve intenção de ofender o presidente.
Entretanto, em 13 junho 2014, Lula, em evento
do PT no Piauí, referindo-se ao xingamento à presidente, declara: “Educação se
recebe dentro de casa. Eu nunca tive coragem de faltar com respeito a um
presidente da República. Isso é coisa da elite branca e rica de São Paulo”.
“Os
palavrões transmitem emoções melhor do que quaisquer outras palavras, por isso
eu diria que eles são perfeitos para manifestações e protestos”, diz a
especialista Melissa Mohr. Segundo Melissa, esse tipo de palavra “faz com que as
pessoas compreendam quão forte é seu sentimento sobre algo, o quanto aquilo
significa para elas”. Além disso, estudos têm mostrado que os xingamentos
fazem as pessoas se sentirem unidas, como parte de um grupo. “São formas de
expressão que ajudam os manifestantes a se sentirem unidos contra o que estão
protestando”, diz ela.
O comentarista do
SBT, Paulo Eduardo Martins, vai mais longe: “Vaiar chega a ser um ato de
civismo: vaiar, não a Dilma mulher, mas a Dilma que representa a incompetência
do governo e o autoritarismo que o petismo que nos impor. A cada vaia que Dilma
e o PT recebem, a liberdade respira e o país fica mais vivo”.
A verdade é que os palavrões não nasceram por
acaso. São recursos usados para prover expressões que traduzem com maior
fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. Eles são uma
verdadeira válvula de escape. Há o entendimento de que, quando bem aplicado,
naturalmente, o palavrão serve.
Há uma frase muito antiga, que expressa a realidade de um
governo: “Quando
os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito” (Cardeal
Retz).
O palavrão é igual a qualquer outro termo de uma determinada
língua, e talvez o mais fiel dos vocábulos de um idioma, porque ele vem do
fundo dos sentimentos e representa um basta na situação. É, geralmente, a
última palavra.
As vaias em forma de
xingamento significam uma explosão de sentimentos acumulados pelos
acontecimentos imperdoáveis deste governo, e a Copa é a grande oportunidade
para externá-las.
A indignação tomou
conta da maioria e não dá para esperar o dia das eleições. Respeito e educação
deveriam partir do governo para o povo.
Celso Pereira Lara
terça-feira, 10 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
351-A Copa em jogo
O espetáculo que a Copa pretende proporcionar ao
mundo, com as disputas entre as seleções de futebol, não para por aí. A Copa
também estará em jogo, mesmo sem bola.
Já se pode contar como certo que as manifestações estarão presentes nos
estádios, participando também do evento, mas do lado de fora, nas ruas.
A seis dias do início da competição, as pesquisas mostram que há um
descontentamento crescente com a realização dos jogos da Copa no Brasil, devido
aos gastos bilionários com as obras, muito além das expectativas. Se as obras
das arenas, que são de interesse da FIFA, foram concluídas dentro do prazo, por
que então as obras de interesse do país e da população ainda nem começaram?
Os jogos da Copa terão início nos gramados das arenas, pelas disputas de
gols, enquanto as manifestações de protesto fazem o seu jogo político nas ruas,
disputando espaço com os policiais. Nos estádios, o campeonato é para definir a
melhor seleção de futebol do mundo; nas ruas, os movimentos populares servem
para mostrar ao mundo que o país está cheio de problemas. Nesse campeonato, o
que está em jogo é a Copa!
O mundial de futebol que a seleção brasileira estará disputando não
deveria acontecer no Brasil. As necessidades dos brasileiros foram deixadas de
lado, para atender prioritariamente o compromisso com a Federação
Internacional. Por não aceitar tal situação, o povo deverá mostrar seu
descontentamento durante o evento.
Não importa se o PIB virou pib e o país não cresce; também não importa
se há cinco anos a Petrobras era a 12ª maior empresa do mundo pelo valor de
mercado e agora ocupa a 120ª posição. Ou se a compra da refinaria em Pasadena “não
foi um bom negócio”. Pouco importa se a produção industrial está em queda, ou
se as grandes empresas estão falindo ou deixando o Brasil. Se o desemprego está
em alta ou se há inflação ou estagflação. A meta a ser atingida é apenas um
detalhe, já que a equipe econômica não acerta uma e nega que existem problemas.
A respeito dos maus desempenhos na economia, as respostas dadas pela
presidente são de lascar: "a
inflação está sob controle, o problema são os preços", ou, então, ela diz “não
saber as razões de crescimento pífio do país”. Ela erra quando afirma o que
pensa saber, e acerta quando declara não saber. Melhor seria dizer “só sei que
nada sei”.
Dessa forma, conseguem empurrar os problemas até o final do mandato,
para novamente prometer uma economia estabilizada, moeda forte, controle da
inflação, o país voltará a crescer, geração de emprego e renda, educação e
saúde de qualidade etc., que só convencem mesmo os petistas fanáticos pelo socialismo
bolivariano.
Com a aproximação dos jogos da Copa, a disparada generalizada dos preços
é inevitável, forçada pelo clima de festa e pela expectativa de chegada de 300
mil turistas. Nesse contexto, é logico que a variação de preços se refletirá na
inflação, corroendo o salário do trabalhador e provocando nova onda de greves
pela recuperação salarial, principalmente no setor público. Essa também é a
parte negativa para um país que se propõe sediar a Copa do Mundo.
Possivelmente, haverá muitas greves após o Mundial, não só pressionadas com
as proximidades das eleições, como também para buscar os reajustes ainda neste
final de governo, que se encontra em queda livre e sem a garantia de reeleição.
Um fato que chega a ser surpreendente! Para minimizar o volume de
protestos contra a Copa, e para dizer que atendeu à voz das ruas, ou para
tentar retirar o item "educação" das faixas que serão exibidas pelos
manifestantes, o governo pediu urgência e a Câmara concluiu, no dia 3, a
votação do Plano Nacional de Educação. O texto prevê um investimento na ordem
de 10% do PIB. Um projeto demagógico, eleitoreiro, que estabelece metas e
estratégias para o setor durante 10 anos (2015 a 2024). Será que isso é
suficiente para conter a indignação da população pelos doze anos letárgicos, ou
o que dizer das atuais greves dos professores públicos que lutam por melhorias
salariais e condições dignas de trabalho?
Também não importa que a bola já esteja rolando fora das arenas, e que o
comandante do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos tenha pedido para
sair, prevendo grandes tumultos no Rio de Janeiro, ou se os black blocs atuarão
orientados pelo PCC.
Segurança é um dos itens constantes da pauta de reivindicações. As
forças de segurança, estaduais e federais, estarão concentradas nos estádios onde
ocorrerá o campeonato, para garantir o evento que vem sendo rejeitado pela
metade dos brasileiros. O governo popular do PT está preparado para uma eventual
batalha sangrenta. Foram convocados policiais militares, federais, rodoviários
federais e soldados do Exército, enquanto a população fica totalmente
desprotegida e entregue à própria sorte. Se o povo já vinha reivindicando mais
segurança no seu dia a dia, imaginem nos dias de jogos? O gigantesco esquema policial
chega a ser assustador, mostrando que a situação no Brasil está dominada pela
criminalidade.
A Copa, ao menos, serve para revelar que o país ainda não está preparado
para sediar um evento mundial, tanto é que várias obras inacabadas só serão
concluídas sabe-se lá quando! Até em Brasília, o aeroporto fica submerso quando
chove. É certo que os turistas sairão decepcionados do Brasil, confirmando a
fama de país de elefantes brancos, de falta de cumprimento dos compromissos de
interesse do povo.
Outro fato também é certo: nenhum brasileiro é contra a nossa seleção de
futebol. O povo gostaria que, antes de tudo, o Brasil fosse campeão em saúde,
segurança e educação, e lógico no padrão FIFA. O discurso oficial do governo
federal é que esta será a Copa das Copas, mas, na outra ponta, corre-se o risco
de acontecer a Manifestação das Manifestações durante o torneio.
Se a Copa é considerada uma decepção, vergonhoso ou falta de pudor é ter
pago 140 reais aos operários para aplaudir a presidente durante a cerimônia de
inauguração do BRT Transcarioca. Haja dinheiro público para sustentar o
Programa Bolsa Plateia até as eleições! A população já está saturada com esse
governo que só sabe consumir dinheiro público e vender ilusões, cujas verdadeiras
intenções estão voltadas para o golpe bolivariano. Afinal, ninguém é de ferro e
não quer mais sofrer humilhações. Que venha a Copa com os seus robocops!
segunda-feira, 2 de junho de 2014
350-A Copa que não é nossa
“O legado que a Copa do Mundo 2014 deixará para o
Brasil... O brasileiro vai comprar uma cervejinha e torcer pela seleção”.
Assim como a FIFA estará cumprindo, neste 2 de junho, a sua agenda
esportiva, ao entregar a taça do torneio à presidente do Brasil, a agenda de
manifestações populares de rua já foi divulgada na internet. E a entrega da
taça, no Palácio do Planalto, possivelmente, não ficaria de fora da agenda de
protestos.
Em cada arena deverá ocorrer movimentos que reivindicam o atendimento de
várias pendências do governo com a população. Lógico que o momento é propício
para mostrar a indignação do povo, que não aceita os gastos bilionários com a
Copa, em detrimento das necessidades básicas dos brasileiros. Se a Copa do
Mundo 2014 não estivesse sendo sediada pelo Brasil, as manifestações não
estariam acontecendo, e o governo da presidente não estaria sofrendo tanto
desgaste político, que certamente se refletirá nas urnas. Evidente que não só
por isso, mas também pela desordem econômica, jurídica e ética.
A revolta reprimida do povo será externada nas ruas, durante a festa que
o governo preparou com todos os requintes, não para os pobres, mas para a
classe média - que uma socióloga petista tanto odeia -, e a classe rica. O
evento considerado uma festa do povo, portanto, não é para todos. O povão ficou
excluído. Melhor teria sido não aceitar a proposta de sediar a Copa. Mas, se a
seleção brasileira for campeã, alguém teria a coragem de dizer que valeu a pena
ter gasto mais de 30 bilhões de reais para a construção e reforma das arenas?
Que benefícios os estádios trarão para o país, para compensar esse investimento
bilionário? O
legado que a Copa vai deixar só servirá para aumentar a lista de elefantes
brancos brasileiros.
Na época em que foi anunciado que o Brasil seria a sede da Copa do Mundo
2014, o governo do PT ainda estava no início do segundo mandato, e o povo,
muito esperançoso, acreditava em todas as promessas de Lula. Mas o que ocorreu
até hoje é que nada foi cumprido, a não ser o aparecimento de uma gigantesca
onda de corrupções, algumas das quais resultaram em condenações de prisão da
cúpula do governo. São 12 anos de governo petista cuidando apenas do
aparelhamento do Estado, visando a perpetuação no poder.
A aceitação da Copa, no Brasil, pelo ex-presidente Lula, foi uma decisão
acima de tudo política, visando o aumento da popularidade do governo petista,
pois ele considera que os gastos são secundários, o que importa mesmo é
garantir os votos.
Ontem, no Rio de Janeiro, a presidente, mostrando-se muito popular,
chegou a tocar tamborim com a bateria da escola de samba União da Ilha, na
cerimônia de inauguração do BRT Transcarioca, enquanto, na rua, um grupo de
manifestantes protestava contra a Copa. No evento, eram mais de 150
trabalhadores a aplaudir a presidente, mas ela só não imaginava que os operários
deixariam vazar que cada um teria recebido 140 reais para permanecer na
plateia, além de café da manhã e almoço. Apesar de ela proibir a presença da
imprensa, não conseguiu evitar que tal fato virasse notícia. Plateia comprada é
uma prática petista!
Mesmo contra a sua vontade, já virou rotina na agenda presidencial: em
todas as cerimônias, ultimamente, as manifestações de protesto também estão
presentes.
A toque de caixa, por causa da chegada do presidente da FIFA, duas obras
inacabadas foram inauguradas no domingo: a Transcarioca e as reformas dos
terminais 1 e 2 do Galeão. No Brasil é assim: para dar ibope, inaugura-se duas
vezes o mesmo empreendimento.
Em Minas Gerais, bem ao estilo da diplomacia petista, ao final do
discurso dirigido aos alunos do Pronatec, a presidente disse que “o brasileiro
vai comprar cervejinha e torcer pela seleção na Copa”. Que fique bem claro: ninguém
é contra a seleção brasileira, mas numa Copa rejeitada pela maioria dos
brasileiros, quem vai comprar uma cervejinha para comemorar o quê?
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