quinta-feira, 13 de junho de 2013

205-Protestos contra aumento de tarifa

Vandalismo de quem?

A onda de protestos, iniciada por estudantes, contra o aumento das tarifas de transportes coletivos urbanos, ganha adesões, chegando, segundo informações da Polícia Militar, a aproximadamente 5 mil manifestantes na Av. Paulista, no centro da cidade de São Paulo. Os estudantes não aceitam o aumento de 3,00 para 3,20. Nos primeiros dias desta semana houve vandalismos e muitos envolvidos foram presos. Entretanto, nesta Quinta-feira, dia 13, o ato, que teve início às 17h, em frente ao Teatro Municipal, foi marcado pela cautela, sem nenhum vandalismo registrado. O vandalismo maior teria sido praticado pelos agentes policiais: a tropa de choque da Polícia Militar radicalizou em suas atitudes. Policiais tentam esvaziar os  movimentos de protestos, efetuando aleatoriamente prisões de manifestantes, com o objetivo de aumentar as estatísticas de prisões e intimidar as lideranças. Bombas de efeito moral ou de gás, balas de borracha, spray de pimenta e polícia montada ou cavalaria foram as armas utilizadas pela Polícia Militar para dispersar os manifestantes, que nesta quinta-feira estavam em manifestação pacífica, jogando flores na frente dos guardas e gritando palavras de ordem como "o povo unido jamais será vencido", "abaixo a ditadura" e "você aí fardado, também é explorado". O movimento pacífico de hoje foi interrompido pelas bombas de gás lacrimogênio, lançadas pelos militares. O movimento dos estudantes também repercutiu na Imprensa internacional, que interpretou que o Brasil passa por um momento de fragilidade no controle da inflação, e que os salários já deteriorados não suportariam qualquer aumento de preço. O governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad declararam que não aceitam a redução da tarifa e não querem negociar com as lideranças do movimento, porque foram praticados atos de vandalismo. Convém lembrar que em algumas cidades de São Paulo os prefeitos decidiram pelo valor anterior das tarifas. A tendência é de que outras prefeituras paulistas retirem os reajustes. Será que a Comissão da Verdade, que investiga crimes políticos cometidos por agentes do Estado entre 1946 e 1988, criada pelo governo Dilma, teria também que investigar os atos praticados pelos policiais militares neste governo? A força utilizada pelos policiais ultrapassou os padrões de manutenção da ordem, chegando ao confronto puro e simplesmente. A presença maciça e a atitude dos policiais militares lembram muito bem a época da ditadura militar, tempos repudiados pela cúpula do PT. Os protestos ocorreram, simultaneamente, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Natal, Maceió e Porto Alegre. Imagens de tv mostram policiais vistoriando ou botando qualquer um para correr dali, mesmo que esteja parado, apreciando ou  filmando o conflito. Foram mais de três horas de barulhos de bombas. O que demonstra claramente a radicalização nas investidas dos policiais é o fato de que o repórter Piero Locatelli, de Carta Capital, e o fotógrafo do Terra, Fernando Borges, tenham sido levados para a delegacia, mesmo se identificando no ato da abordagem, na rua. Durante o confronto, sete jornalistas se feriram e cerca de duzentos manifestantes foram detidos. A Polícia Federal já se colocou à disposição para entrar em campo. Os excessos são práticas típicas do regime militar, tão combatidas e não aceitas pelo Partido dos Trabalhadores. E o prefeito Haddad é do PT. O protesto, nesta quinta, foi encerrado às 22h.

Celso Pereira Lara


204-As preocupações de Dilma

Dilma tenta buscar de volta insatisfeitos que ainda apoiam o seu governo

O programa Minha Casa, Minha Vida ganha reforço

Enquanto o prazo para desincompatibilização não se avizinha, o governo tenta a todo custo reforçar os laços de amizade com a base aliada do governo. Dessa forma, não se esperam desafetos, por enquanto. Se ela está nervosa, estressada ou sofre de insônia, ultimamente, talvez seja por causa do fenômeno chamado inflação.  A queda de popularidade da presidente, segundo constataram, caiu de 65% para 57%, mas o apoio do eleitorado não migrou para os adversários, que mantêm o mesmo patamar. “Os analistas do PT registram, no Datafolha, que as perdas da presidente Dilma não se transferiram para os candidatos da oposição. Somados (Aécio, Marina e Eduardo), eles tinham 34% em dezembro, 32% em março e 36% agora”. Sem dúvida, Eduardo Campos (PSB-PE) é o provável adversário a ser combatido por Dilma, no Nordeste. Mas não se pode descartar a possibilidade de crescimento de eleitores de Eduardo no sudeste. Embora os números divulgados não tenham sido os dos sonhos da Presidente da República, a pesquisa do Instituto Datafolha do último fim de semana parece ter tirado Dilma da zona de conforto. É porque ela sabe que perdeu espaço junto aos próprios simpatizantes que, decepcionados com algumas atitudes da líder petista por seguir em direção à direita em seu governo, preferem aguardar um pouco, antes de declarar uma dissidência. A um ano e quatro meses das eleições, a presidente foi orientada a reforçar as viagens ao Nordeste – onde o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), obtém dois dígitos na pesquisa Datafolha – e também ao Sudeste, onde ela teve queda mais acentuada. A presidente, daqui para frente, deverá mostrar serviços (marketing político) nas redes de televisão. A começar com o novo programa "Minha Casa Melhor", para reforçar o ambicioso projeto político Minha Casa, Minha Vida, que é a maior fonte de votos garantidores de sua reeleição. Ainda é cedo para afirmar alguma coisa, todavia vislumbra-se que a luz verde do Planalto já estaria amarelando.

O novo programa "Minha Casa Melhor"
Trata-se de uma linha de crédito, até R$ 5mil reais, aos mutuários do Minha Casa, Minha Vida, a ser financiada somente pela Caixa Econômica Federal. O programa Minha Casa Melhor  receberá linha de até R$ 18,75 bilhões para compra de cinco tipos de móveis, quatro eletrodomésticos e também computador. O limite é de R$ 5 mil por família, com juros de 5% ao ano e prazo de pagamento de 48 meses. A compra deve ser feita em um dos 13 mil varejistas credenciados, que oferecem ainda desconto de 5% sobre o valor à vista do produto. É possível usar o crédito em até 12 meses, após a emissão do cartão, que pode ser solicitado a partir da data de entrega das chaves. Os dez itens que podem ser comprados têm um preço limite fixado pelo governo. A compra de todos os produtos pelo valor máximo representaria um gasto de R$ 6.834 acima do limite de crédito.


Celso Pereira Lara

203-A UNE sai do armário

A União Nacional dos Estudantes define agenda de lutas pela educação

A nova presidente da UNE afirmou que, no último congresso da entidade, dia 2 de junho, uma jornada de lutas unificada do movimento estudantil foi convocada, para que os estudantes tomem as ruas das principais cidades do país, como forma de marcar as principais lutas do movimento estudantil. "No dia 28 de agosto faremos uma grande passeata em Brasília para pressionar nosso Congresso pelos 10% do PIB, 100% dos royalties do petróleo e 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação". Ela também afirmou que a UNE apoia as manifestações do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo. “A luta por um transporte, sobretudo acessível, de qualidade, é algo que mobiliza não só os estudantes. O direito de locomoção nas grandes cidades  é um direito fundamental e não pode estar sujeito às leis de mercado.” Finalmente, a UNE sai do armário, onde esteve amordaçada durante pelo menos 10 anos e meio. Foi preciso eleger maciçamente uma pernambucana para que a entidade pudesse sair da hibernação política em que se encontrava, dominada totalmente pelo Partido dos Trabalhadores. A história de lutas da UNE ficou totalmente apagada durante os governos de Lula e Dilma. Houve total afastamento das atividades de organizações estudantis em todo país, não por total insuficiência de recursos nem por acaso, mas por subserviência às ordens do todo poderoso presidente do governo dos petistas. Ressuscitada ou sob nova direção, até arrumar a casa toda, a entidade agora tem muito a cobrar desse governo. Com certeza, Vic enfrentará forte oposição interna: os radicais da ala política da base aliada do governo. Para alívio da população que, totalmente desesperançada, não encontrava canal de voz para as suas justas reivindicações, e para aumentar o desespero de Dilma que, no momento, sofre de insônia causada pelo avanço da inflação e pela queda no índice de popularidade, o retorno da UNE é muito oportuno e muito bem-vindo. Vic Barros foi eleita pelo período de dois anos, tempo suficiente para mostrar ao governo que a população brasileira não está totalmente abandonada. O que Dilma prometeu, durante a campanha, mas ainda não cumpriu, agora será cobrado.    
Lembrando a UNE:
Passada a eleição, a bandeira do "Fora Collor" foi aprovada no Congresso da UNE de 1992, realizado em Niterói. Com esta bandeira o estudante paraibano Lindberg Farias tornava-se presidente da entidade. Na medida em que as denúncias contra o governo Collor tornavam-se mais graves, o movimento organizado ganhou uma cobertura nacional o que o transformou no principal motor na campanha pelo impeachment. As passeatas reuniam centenas de milhares de pessoas, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo (que chegou a reunir 500 mil pessoas em 25 de agosto de 1992). O final da jornada de luta estudantil foi um alívio: ao contrário do que ocorrera com as "Diretas Já", o impeachment foi aprovado e o presidente afastado.
A nova presidente da UNE:
Aluna do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP), Virgínia (Vic) Barros, de 27 anos, natural de Garanhuns (PE), foi eleita presidente da UNE, domingo, 2 de junho de 2013, ao final do 53º Congresso da entidade estudantil, realizado durante três dias, em Goiânia. Conforme o publicado no site oficial da UNE, em um processo eleitoral que teve participação recorde de delegados representando 98% das instituições de ensino superior no Brasil, Vic foi eleita pela chapa “Bloco da unidade para o Brasil avançar, com 2607 votos (69%), dentro de um total 3.764 delegados credenciados. 

Celso Pereira Lara

terça-feira, 11 de junho de 2013

202-Novas notas fiscais

A lei das novas notas fiscais trará algum benefício para a população?
  
A lei que projeta um novo modelo de nota fiscal, a ser emitida pelo comércio, parece que só serve para tumultuar as pequenas e microempresas. Da mesma forma que o do Bolsa Família, que até agora não foi esclarecido, o tumulto causado pela obrigatoriedade de discriminar os tributos nas notas fiscais é generalizado no país. Serve apenas para aumentar os custos e despesas das empresas menores. O argumento de que os consumidores poderão saber o quanto pagam de tributos ao governo é uma falácia. Ao povo não interessa saber dessas medidas maquiavélicas. Elas servem apenas para jogar confete na população. Que diferença vai fazer no seu salário, no final do mês? Elas servem, sim, para saber o quanto o governo arrecada de impostos, no entanto, a Saúde, a Educação, a Segurança e as estradas federais estão precárias. Ainda querem fazer com que os consumidores sejam os olheiros do governo! Interessante é que a norma prevê a informação do valor aproximado correspondente à totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais em documentos fiscais ou equivalentes. Exigem-se o cumprimento da lei, sob punições pecuniárias, todavia, admitem que os valores informados nas notas fiscais não são exatos!


Celso Pereira Lara

segunda-feira, 10 de junho de 2013

201-A popularidade de Dilma

Índice de popularidade de Dilma indica que
a realidade agora é outra

É a primeira queda, fora da margem de erro, registrada pelo índice que mede a popularidade da presidente, desde a sua posse. A pesquisa Datafolha, realizada na primeira semana de junho, indica que 57% da população avalia seu governo como bom ou ótimo. São 8 pontos a menos que no levantamento anterior, feito em março. A deterioração da imagem de Dilma possivelmente seria um reflexo do aumento do pessimismo dos brasileiros com a situação econômica do país, e tudo leva a crer que a população está mais preocupada com a inflação e o desemprego. Devido aos ajustes gerais de preços na economia brasileira, ocorridos durante os cinco primeiros meses deste ano, houve forte impacto no poder de compra dos assalariados. E o pior é que não há expectativa de melhoria na economia do país, considerando as dificuldades nas políticas fiscal e econômica, para contenção da inflação, causada principalmente pelo comércio de produtos hortifrutigranjeiros sujeitos a entressafras. Como exemplos, podemos citar: a normalização do tomate no mercado teve o seu preço elevado em 100%. As carnes de boi, que teriam os preços rebaixados, conforme prometido pela presidente, em cadeia nacional, continuaram com os seus preços nos mesmos níveis. Portanto, o valor da cesta básica não melhorou.  Em fins do ano passado, representantes dos aposentados passaram mais de duas horas protestando em frente ao Planalto e fechando o trânsito no local, ao lado de inúmeras categorias de grevistas. Os aposentados do INSS reivindicavam 7,38% e o fim do fator previdenciário. A imensa manifestação que tomou conta do local e permaneceu durante toda a noite obrigou a presidente Dilma a deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos. Atualmente, assistimos a greves de professores de escolas públicas; manifestações estudantis contra o aumento da tarifa de transportes coletivos urbanos. Além disso, dois problemas tiveram grande repercussão na mídia: o tumulto no pagamento do Bolsa Família, até agora não esclarecido, e a tensão com indígenas do Norte e do Mato Grosso do Sul. O baixo índice de popularidade de Dilma é o reflexo de sua credibilidade junto à população. Não basta prometer. Tem que cumprir.

Celso Pereira Lara

domingo, 9 de junho de 2013

200-Superfaturamento & Ficha Limpa

Superfaturamento ou desperdício de recursos públicos?


O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro instaurou procedimento investigatório criminal a fim de apurar possíveis infrações na compra da refinaria de Pasadena (Texas, EUA) pela Petrobrás. O objetivo é esclarecer a possível evasão de divisas e peculato, por indícios de superfaturamento. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, juntamente com os diretores à época foram intimados a depor. O MPF também pede uma série de documentos à Petrobrás, incluindo os contratos com a Oldebrecht Engenharia, que contemplam serviços em Pasadena e em nove países. A possibilidade de superfaturamento existe tanto na compra da refinaria quanto nos serviços prestados pela Oldebrecht. O MPF diz que o fato de a Petrobrás ter gasto US$1,18 bilhão para a compra de uma refinaria que, há oito anos, custou à ex-sócia US$42,5 milhões "revela possível compra superfaturada de ações pela Petrobrás". "Em tese, dirigentes que participaram podem ter se beneficiado". A transação em torno da refinaria foi considerada um "fracasso retumbante" e o melhor seria a estatal ter assumido o prejuízo, em vez de investir mais na refinaria. A presidente Graça Foster decidiu tentar, com investimento adicional, recuperar o valor da planta antes de vendê-la. A investigação pode gerar denúncia à Justiça Federal. Peculato é crime em que enquadra desvio de recursos por funcionários públicos; Evasão de divisas é crime contra o sistema financeiro, passível de prisão.

Situação da Petrobrás e o loteamento petista


Hoje, a Petrobras é "a imagem da desconfiança e de prejuízos". Esse é o diagnóstico de políticos do PSDB, que se reuniram em Brasília com especialistas em petróleo, infraestrutura e planejamento energético, num seminário para discutir a situação da estatal. O slogan da conferência é "Recuperar a Petrobras é o nosso desafio". Os tucanos afirmam que, ao contrário do anúncio feito em 21 de abril de 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de autossuficiência do Brasil, o País gastou só em 2012 U$ 7,2 bilhões com importação de derivados de petróleo: gasolina, diesel, nafta e querosene. Nos últimos dois anos, de acordo com o partido, a empresa perdeu 47,7% do valor de mercado, numa desvalorização de R$ 179,3 bilhões. Ainda segundo os políticos, depois de ter sido a segunda maior petrolífera do mundo em valor de mercado, a Petrobras está hoje na oitava posição. Conforme o presidente nacional da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE), só há uma forma de salvar a companhia: "É devolvê-la a uma gestão técnica, acabando com o loteamento político de suas diretorias." Na sala do evento, na Câmara, militantes do PSDB Jovem usaram máscaras da presidente Dilma Rousseff e de Lula, ao mesmo tempo em que estavam com as mãos pintadas de preto, como se estivessem manchadas de petróleo. Eles repetiram, ironicamente, gestos feitos pelo ex-presidente quando anunciou a autossuficiência do Brasil em petróleo. A sigla criticou a gestão do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. De acordo com os dados dos tucanos, o quadro de pessoal da Petrobras saltou de 45 mil empregados efetivos e cem mil terceirizados para 85 mil permanentes e 300 mil terceirizados. Pelo que se vê, a Petrobrás representa uma grande fonte de votos, depois do Bolsa Família.   

A Ficha Limpa ainda está muito suja neste governo


O Conselho Nacional de Justiça declara: "quase um terço dos tribunais descumpre ficha limpa". Dados do CNJ mostram que de 90 tribunais sob os cuidados do órgão, 28 não cumprem integralmente uma resolução que exige "ficha limpa" para contratação de funcionários comissionados, ocupantes de funções de confiança e terceirizados do judiciário. A medida está em vigor desde 2012 e vale para Justiça Federal, Eleitoral, Estadual, Militar e tribunais de contas, além de tribunais superiores. Dos 28 tribunais, 3 são regionais federais, 8 regionais do trabalho, 7 regionais eleitorais e 10 tribunais de justiça. O presidente do STF e do CNJ, Joaquim Barbosa, enviou ofício, em 31 de maio, questionando o atraso das cortes em cumprir a resolução. No documento, Barbosa concede mais 15 dias para os tribunais regularizarem a situação. Que assim seja!

Celso Pereira Lara

quinta-feira, 6 de junho de 2013

199-Empréstimos sinistros

Empréstimos secretos para Cuba e Angola
- "documentos sigilosos" -

A Comissão da Verdade, que investiga crimes políticos cometidos por agentes do Estado entre 1946 e 1988, criada pelo governo Dilma e prorrogada até dezembro de 2014, que em nada contribui para o desenvolvimento do país, só serve mesmo para desviar as atenções dos atos do governo até as proximidades das eleições. E a Lei de Acesso à Informação - Lei da Transparência - também segue os mesmos interesses do governo. A transparência exigida é só para os escalões inferiores, porque basta um carimbo de "sigiloso" em algum documento, autorizado por um ministro, que a lei perde a sua eficácia imediatamente. Segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, o BNDES desembolsou US$ 875 milhões em 2012 para financiamento à exportação de bens e serviços de empresas brasileiras para os dois países. No ano passado, o banco financiou operações para 15 países, no valor total de US$ 2,17 bilhões, mas apenas os casos de Cuba e Angola receberam os carimbos de secreto, e dessa forma o conteúdo dos documentos só poderá ser conhecido a partir de 2027. O senador Álvaro Dias contou também que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está exigindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar esses financiamentos. Ainda segundo o jornal, a Odebrecht aproveitou uma viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Cuba para impulsionar a discussão sobre a reforma de dois aeroportos da ilha, negócio avaliado em 175 milhões de dólares, que deve ser fechado nas próximas semanas. Um financiamento do BNDES para a obra também está sendo negociado. Afinal, por que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, tornou secretos os documentos sobre apoio financeiro a Cuba e a Angola? 

Celso Pereira Lara

terça-feira, 4 de junho de 2013

198-Idade penal - II

Os jovens demonstram maturidade ao cometerem atos criminais, mas são considerados imaturos 
pela legislação brasileira 

A CCJ do Senado já está promovendo debates sobre o tema maioridade penal. Com a participação de juristas e especialistas no assunto, a proposta  do senador Aloysio, assim como muitas outras, parece caminhar para um desfecho já conhecido de todos: “deixa quieto”. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê uma série de direitos aos menores de idade e uma série de obrigações ao Estado e à família, todavia ainda não foram executadas de fato. O presidente da OAB é contra porque a Constituição ‘blinda’ os adolescentes de punição penal pelo fato de terem ainda formação moral e física não concluída. Ele alega também que enquanto as questões do ECA não forem resolvidas, não haverá embasamento para falar em diminuição da idade penal. Alega ainda que se o sistema carcerário não funciona em relação ao adulto, muito menos em relação a uma pessoa em desenvolvimento. Uma Procuradora da República é favorável ao aperfeiçoamento do ECA e das medidas socioeducativas. Um dos principais defensores da reforma do ECA, Aloysio alega que a sociedade não pode esperar até que todas as medidas de proteção social previstas no estatuto sejam implementadas para conferir se elas darão resultado na diminuição da criminalidade. O senador propõe a manutenção da idade penal em 18 anos, mas defende que, nos casos de crimes hediondos, os adolescentes, a partir dos 16 anos, possam ser responsabilizados criminalmente, se o juiz da Vara da Infância entender que tenha discernimento da gravidade do ato que cometeu. O parlamentar discorda que seja inconstitucional, pois a própria legislação já trata o adolescente de 16 anos como adulto em diversas situações relevantes na vida civil e na vida pública. A CCJ promoverá mais duas audiências nas próximas segundas-feiras, dias 10 e 17, para debater o tema.

Celso Pereira Lara

domingo, 2 de junho de 2013

197-Rumo aos 40 ministérios

40 ministérios e os 60 bilhões

O Poder Executivo no Brasil é composto atualmente por 39 ministérios, para garantir a governabilidade. Assim pensa a Presidente Dilma. Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, são 19 prédios em plena utilização. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso recebeu de Itamar Franco 22 ministérios e legou para Lula 24 pastas, em 2002. Mas, em 2010, Lula deixou para Dilma 37 ministérios. Agora, já são 39. Para bancar toda essa estrutura e a folha de salários, o governo gasta R$ 58,4 bilhões por ano. Em média, as despesas correspondem a 1,5 milhão para cada ministério. Bem que o Executivo poderia arredondar essas contas. Criaria o quadragésimo ministério, elevando o gasto para 60 bilhões. Mais um pouquinho menos um pouquinho não faria diferença nenhuma nos gastos públicos, ninguém perceberia e o governo sairia reforçado politicamente. A possibilidade de isso vir a acontecer está muito próxima. Quem sabe um novo Ministério para abrigar algum político que poderia vir a incomodar a candidata à reeleição nas campanhas eleitorais? Na base aliada do governo sempre cabe mais um. Da oposição, todos são bem-vindos. São 22 os partidos da base aliada: PMDB, PC do B, PRB, PSB, PR, PTB, PV, PDT, PP, PDB, PT do B, PRTB, PRP, PMN, PHS, PTN, PSC, PTC, PSD, PSDC, PSL e PPS. De preferência, que não haja nenhuma oposição para que a governabilidade siga exatamente a cartilha do PT.  Talvez a mesma cartilha seguida pelos presidentes da Venezuela e da Bolívia. A formação de um bloco político no governo federal constitui-se numa grave ameaça ao regime democrático. É evidente que no plano da representação política partidária real há um bloco hegemônico, articulado e comandado pelo PT. Quando se tem um Estado com executivo forte, um legislativo debilitado, um judiciário e uma imprensa amordaçados, o caminho para o totalitarismo já está definido. Nesse instante, a pluralidade de partidos é fundamental para a democracia, para movimentar as eleições e o Congresso, mas um partido que subsiste no tempo para ficar apenas agarrado às tetas dos governos e virar refém de políticas contrárias é no mínimo ridículo. O partido que se propõe a fazer oposição ao governo e mais tarde se junta à sua base aliada para rezar e dizer amém a uma cartilha que não é a sua, não merece votos nas eleições. 


Celso Pereira Lara

sábado, 1 de junho de 2013

196-Boataria sobre os boatos

A misteriosa história dos boatos do Bolsa Família
ainda é um enigma
  
A boataria sobre os boatos do Bolsa Família não para de crescer. Todos os que se pronunciaram, defendendo o governo, têm uma parcela de culpa no episódio, menos os da oposição. A oposição foi frontalmente atacada, talvez inocentemente, sem provas nem vestígios. O governo fez um estardalhaço geral, numa demonstração de convicção, responsabilizando a oposição pelo acontecido, ao mesmo tempo em que acionava a Polícia Federal para abrir um inquérito e apurar o caso. Durante aquela semana, o governo havia negado a antecipação de saques. Em seguida, a Caixa desmente o que havia afirmado no sábado, dia 18: a liberação dos pagamentos fora antecipada para sábado e domingo, para evitar tumultos e amenizar os boatos. Entretanto, dias após, a Caixa confirma ter alterado, sem aviso prévio, todo o calendário de pagamento aos beneficiários do Bolsa Família, que começou dia 17, antes dos boatos. A confusão toda foi criada pelo próprio governo, tal qual uma torre de babel, numa demonstração de que eles não se entendem na administração do dinheiro público. Mas por que a Caixa alterou o cronograma? Por que ela escondeu essa informação ao governo e à população? Como é que a Ministra do Bolsa não sabia de nada? Principalmente a Presidente Dilma, que  afirmou que o autor de boato sobre Bolsa Família é 'desumano' e 'criminoso'. Acontece que, até agora, passados 12 dias, ainda não saiu nenhum resultado a respeito. O perigo é que o tempo vai passando e tudo ficará no esquecimento. Cabe à Polícia Federal emitir um parecer conclusivo, ainda que nada tenha sido constatado nas investigações. Resta saber o que o governo teria a dizer, caso o inquérito seja arquivado por falta de provas. Afinal, o povo sofrido espera uma justificativa convincente dada pelo governo; a oposição aguarda um pedido de desculpas pela acusação indevida, e que tudo seja esclarecido através de cadeia de rádio e tv. Só não vale colocar a culpa na Polícia Federal, por não ter desvendado todo esse mistério.


Celso Pereira Lara