Uma
ótima notícia para o povo mineiro: mais de 600 presos começam a ser
transferidos para uma penitenciária construída e administrada pela iniciativa
privada, em Ribeirão das Neves-BH. A inauguração oficial está prevista para o
dia 28 deste mês e trata-se da primeira iniciativa deste tipo no Brasil. A
construção da penitenciária, licitada e executada por um consórcio de cinco empresas,
teve um gasto total de 280 milhões, o mesmo valor gasto na desnecessária reforma,
incluindo banheiras de hidromassagens, dos apartamentos funcionais dos
deputados federais em Brasília. O custo mensal, definido para cada detento,
será da ordem de 2,1 mil, pagos pelo estado durante os próximos 27 anos. Por
conta dos investidores ficarão a alimentação, a saúde e a educação. Nos galpões
da unidade prisional os presos que estiverem cumprindo pena também terão
atividades e instruções para aprender a costurar uniformes, fazer calçados e
mobiliário. Outro fato importante é que haverá uma empresa para monitorar os
resultados da Parceria Público-Privada (PPP). De acordo com a gestora da
unidade prisional, funcionários da empresa estarão dentro do presídio. “Nós
teremos aqui sete pessoas dessa empresa norte-americana fazendo mensurações,
verificações do atendimento e da segurança da estrutura”, disse. A gestora explica que são cerca de 380 itens
avaliados. O investimento em segurança foi alto. Colchões antichamas, lâmpadas
de baixa voltagem e paredes sem tomadas, para que nenhum celular seja recarregado,
são medidas de segurança. Duas torres funcionam como centrais de monitoramento
e recebem imagens de quase 300 câmeras dia e noite. Das torres são disparados
os comandos para abertura e fechamento de portões, funcionamento ou não de
energia elétrica e dos chuveiros. Uma iniciativa pioneira no Brasil, com origem
em Belo Horizonte, que tem tudo para dar certo. De alto custo inicial, e mensal
durante 27 anos, mas na realidade o retorno será em forma de mais segurança
para a sociedade e para os presos. Sem celulares não mais haverá
ordens ou comando ao crime organizado por parte dos presidiários e fugir será
missão quase impossível. Dessa forma, o criminoso estará ciente de que a
cadeia, doravante, será de fato um presídio nos moldes americanos, assim todos
os brasileiros esperam. Contudo, ainda há quem diga que "o modelo de PPP
não contribui para a ressocialização do preso e ainda é caro" - palavras
do especialista em segurança pública e integrante do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública, Robson Sávio. E acrescenta:
“A PPP não supera o modelo prisional que nós temos baseado na contenção
ao invés da ressocialização no alto custo e na reincidência." Há longos
anos os presos, condenados ou não, sempre foram cercados de direitos e
garantias por parte de associações e organizações protetoras dos criminosos. A
luta pela libertação dos detentos é muito maior do que a luta para o combate à
criminalidade nas ruas. Daí o aumento da violência urbana. Se eles nunca seguiram
as regras sociais, por que tanta preocupação com a ressocialização dos
condenados, quando na maioria das vezes eles assaltaram, mataram, estupraram e
aniquilaram famílias? Quantos presidiários, mesmo tendo cumprido suas penas ou
que tenham saído antes ou então que tenham fugido, voltaram para o mundo do
crime, fizeram novas vítimas e continuam foragidos? A esperança é de que o novo
presídio traga bons resultados por enquanto à população mineira, e com isso
outros estados passem a adotar o mesmo projeto, como solução em curto prazo
para a crise no sistema penitenciário no Brasil.
Celso Pereira Lara
Celso Pereira Lara
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