quarta-feira, 3 de setembro de 2014
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
370-A política é abominável
Demonizar a classe
política vá lá que não seria nada elegante, já que não são todos os
parlamentares que se situam no eixo da sem-vergonhice. Os bons, por serem
exceções, são quase imperceptíveis, tais quais salários de professores do
ensino público.
Em
época de eleições, o surgimento de candidatos à Presidência da República faz
muito bem ao regime democrático, principalmente devido à pluralidade de
partidos políticos. A quantidade é muito grande, mas são pouquíssimos os que
apresentam candidato. Geralmente, são os mesmos partidos. Observe-se que a
maioria fica encastelada na base aliada do governo, servindo-se do farto
banquete que lhe é oferecido. Quando é chegado o momento de
desincompatibilização para uma possível candidatura, os pretendentes deixam o
governo, e passam a ser oposição, cuspindo no prato que tanto se serviram. Não
obstante, na eventualidade de uma reeleição, os mesmos partidos se submetem ao
balcão de negócios e voltam ao pasto, para se saciarem da ração que lhes é
oferecida, e todos ficam felizes até a próxima eleição. Atualmente, são 39
ministérios satisfazendo a todos os gostos dos políticos, muitos deles não
servindo para nada. Assim funciona a máquina governamental no Brasil.
A
classe política é tão necessária e importante para a democracia em qualquer
lugar do mundo, mas de uns tempos para cá, o surgimento de notícias sobre
malfeitos ocupou as páginas de jornais, TVs e redes sociais, e não param de
acontecer. O atual modelo político conduz o país ao caos, à degradação da
democracia, e brevemente poderá estar mergulhado numa guerra civil de graves
consequências. A impressão que se tem é que todo político é ladrão, e Brasília
é a capital da corrupção. A culpa não é do povo ao fazer um pré-julgamento tão duro
contra a classe política. Os eleitores, sim, são cúmplices e, em última
instância, culpados por essa corrupção endêmica, porque os corruptos são sempre
reeleitos. Os agentes políticos demonstram estar conscientes de suas atitudes e,
por isso, são os verdadeiros responsáveis por todo esse estado de coisas. É
natural que a indignação tenha tomado conta dos eleitores diante dos indecentes
casos envolvendo desvios ou má gestão dos recursos públicos, e que sem dúvida
poderá se refletir nas urnas.
Nos
últimos tempos, os políticos se limitaram a cuidar de seus próprios interesses,
refestelando-se no poder a qualquer custo, formando alianças com velhos
inimigos, mesmo sendo declaradamente corruptos. Seus patrimônios crescem
assustadoramente a cada ano, de forma totalmente incompatível com os
rendimentos anuais, aos olhos da população e de seus eleitores. Esses parlamentares
praticam a política do “aumentar meus bens não importa como”. Antes, roubavam,
mas faziam; agora, nem isso. O momento exige uma reflexão, e o eleitor tem que
perceber que isso tudo está acontecendo, não por acaso, mas com a sua permissão.
A cumplicidade está confirmada pelos resultados das urnas. É tempo de mudanças
radicais, de eleger novos políticos para tentar acabar com essa política
viciada, abominável. Agora, a candidata Marina aparece propondo, se eleita,
implantar uma “nova política” ou fazer uma “renovação política”, talvez
querendo modificar para ficar tudo igual. Acontece que nem ela sabe explicar
direito como será essa invenção que supostamente é de sua autoria. De boas intenções o inferno está cheio, e
caberá ao eleitor, juiz em última instância, decidir no silêncio de seu voto.
Celso Pereira Lara
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
366-Pichações em viaturas policiais, em JF
A
criminalidade atingiu proporções insustentáveis em muitas cidades do país, mas
os governantes, tão preocupados com as suas carreiras políticas, não percebem a
gravidade da situação. Só fingem perceber quando há manifestações de rua.
Prende em nome da
lei, solta em nome da lei. Parece brincadeira de gato e rato, mas, na
realidade, é assim que funciona o sistema protetor da sociedade no Brasil. O
desgaste moral que as Polícias vêm sofrendo, ultimamente, não é por acaso,
porque é fruto de um tratamento político que visa o sucateamento das
instituições públicas em todas as esferas. Tal fato incentiva os fora da lei a
cometer cada vez mais crimes, com a certeza da impunidade, inclusive a desafiar
as autoridades policiais com pichações em seus veículos de serviço. Uma
petulância! Hoje é pichação. E amanhã?
Sabemos que enfrentar
a criminalidade é um trabalho desgastante para os policiais que, no cumprimento
de seu dever, prendem por várias vezes o mesmo delinquente. Há casos de vinte
ou mais registros em nome do mesmo infrator. Dessa forma, as dificuldades no
policiamento só têm aumentado, e todos nos tornamos vítimas das circunstâncias.
O crescimento da criminalidade é produto dessa discrepância das penalidades, e,
em consequência, os taxistas já viraram alvo dos bandidos. São diversos
assaltos ocorridos diariamente nessa classe de trabalhadores, fazendo com que o
serviço ao final do dia termine de forma estressante, devido ao clima de
insegurança e medo.
O mesmo ocorre com os
estabelecimentos comerciais, que após diversos assaltos apelam para os sistemas
de câmeras digitais, para ao menos filmar os ladrões, mas não os impedem de
praticar os delitos.
Os jornais noticiam
que em São Paulo o crescimento do número de assaltos chega a 35%, atingindo uma
média de 37 roubos por hora. E nas outras grandes capitais a situação não é tão
diferente. As pessoas vivem acuadas em suas casas, protegidas por grades,
câmeras e cães adestrados, como forma de segurança, entretanto, ao saírem às
ruas, encontram-se totalmente inseguras. Convém dizer que dentro de suas casas
a sensação de segurança é apenas simbólica, porque na prática, quando os
criminosos visam um alvo, não há impedimento para a execução do assalto.
Até nas cidades
interioranas já há registros de aumento da escalada da violência. Portanto,
Juiz de Fora não está sozinha, levando em conta que o país inteiro padece desse
mal, e não dá para vislumbrar melhorias na segurança pública, no curto prazo,
pelo menos enquanto as leis estiverem desatualizadas.
O Brasil não chega a
ser comparado a uma terra sem lei, mas pelo andar da carruagem tudo indica que
está caminhando para lá. É uma questão de tempo. Infelizmente, temos que levar
a vida contando com a própria sorte, até o dia em que os titulares dos poderes
constituídos deixarem de olhar somente para si e se comprometerem a legislar a
favor da dignidade do povo.
Celso Pereira Lara
sexta-feira, 25 de julho de 2014
365-O perigo do clima de campanha-II
Com
os gritantes acontecimentos pós-Copa, a onda de negativismo contra o governo
cresce a todo instante. Prometer que irá corrigir tudo, se reeleita, não
convence a ninguém.
A economia brasileira
caminha tropeçando rumo a 2015, ano cujas previsões dos grandes mestres indicam
que não será nada bom para o Brasil, independente de quem seja o novo presidente.
Arrocho salarial aos funcionários públicos seria a primeira providência. Mas
por que não reduzir à metade, primeiramente, os 39 ministérios, e não acabar
com milhares de cargos de confiança sem concurso público, produto do
aparelhamento?
O PIB e a inflação
estão sempre caminhando em evidente antagonismo, naturalmente, desde que a taxa
do PIB seja a mais alta. A que deveria ser alta, por representar o crescimento da
economia do país, encontra-se há bastante tempo no menor patamar. Daí ter
surgido o termo pibinho, pois o crescimento quando não está estabilizado é cada
vez menor. Ao contrário, a taxa de inflação encontra-se num patamar elevado,
dando a entender que é possível subir ainda um pouco mais. São dados
importantes que certamente se refletirão negativamente para o atual governo,
nas campanhas eleitorais em curso.
Dentro do próprio governo,
a previsão para este ano é de crescimento menor que 2% e uma inflação acima de
6%. Se a economia vai mal, as instituições também seguem comprometidas e não
escapam de temas em palanques. Nesse contexto, a nova classe média que foi promovida
por uma falsa bolha volta a ocupar o seu lugar primitivo: a classe pobre. E
quando a crise econômica interfere cada vez mais na elevação dos preços, os
primeiros sintomas ocorrem no bolso da população menos favorecida, e, com a proximidade
das eleições, a tendência é acontecer uma resposta inesperada na hora de
decidir o voto. Lembrando que quem define as eleições é a classe média.
No bojo dos recentes
acontecimentos, o Brasil foi chamado de "anão diplomático" pelo
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, ao comentar a
decisão brasileira de chamar o embaixador para consultas por conta da escalada
de violência na Faixa de Gaza. O governo brasileiro disse que ação de Israel em
Gaza é desproporcional. O porta-voz de Israel reage e afirma que
desproporcional é 7 a 1. É notório que a percepção internacional sobre o país
piorou muito nos últimos anos, e será necessário um bom tempo para recuperar a
credibilidade.
Outro fato no campo
da diplomacia transformou-se em combustível para comentários políticos na mídia:
a hospedagem de um tirano na Granja do Torto. É que a presidente, seguindo a
prática sorrateira do petismo, recebeu o ditador cubano Raúl Castro, oferecendo
um tratamento diferenciado. Afinal, é o irmão do todo poderoso Fidel Castro, a
quem o PT presta reverências mil.
O jantar contou com a
presença do novo líder venezuelano, Nicolás Maduro. O motivo das conversas possivelmente
não devia estar na agenda, mas segundo a presidente foi um encontro marcado
pelas "relações diplomáticas de alto nível", e não pode ser tratado
como "preconceito". "Brasil estava apenas sendo cordial,
adotando a prática da reciprocidade". Pergunta-se: que tipo de
reciprocidade os brasileiros mais céticos poderiam esperar de Cuba ou da
Venezuela?
Não por coincidência,
tal fato se deu nesse período de campanha eleitoral, que já começou na segunda
semana de julho, mas até o momento o governo ainda não se animou a esquentá-la.
Com mais este fato político, ocorrido de surpresa e com diálogos sussurrados, a
campanha tende a esquentar daqui para frente nos palanques da oposição.
Celso Pereira Lara
quinta-feira, 24 de julho de 2014
364-Água em pauta, em JF
Punição para desperdícios
de água ultrapassa os limites da liberdade dos indivíduos, uma vez que as
contas são pagas pelos consumidores. Ou será que já estamos num socialismo
bolivariano?
O projeto de lei que
proíbe a lavação de calçadas e fachadas públicas, residenciais ou comerciais,
com o intuito de evitar os desperdícios de água tratada, e que havia sido
encaminhado para sanção do Executivo, retorna à Câmara para aprofundamento da
discussão.
O texto prevê,
também, que em casos excepcionais, como acidentes naturais, haveria a
necessidade de solicitar consentimento à Cesama, a qual emitiria uma
autorização em até 48 horas.
Todos nós entendemos que o uso comedido da água tratada deve ser levado
a sério, considerando as dificuldades por que passam os reservatórios
brasileiros. Embora o fornecimento de
água pela Cesama seja cobrado pela quantidade consumida, ou seja, o que se
gasta é o que se paga, a criação de uma lei para evitar desperdícios seria um
tratamento mais coercitivo aos consumidores de água do que um simples método de
“conscientização”. É justamente nesse ponto que está havendo grande contestação
do povo, que já está cansado de ser penalizado. Não é à toa que o projeto de
lei, ainda na Câmara de Juiz de Fora, foi retirado de pauta, para novas
discussões.
Uma forte campanha de esclarecimento se faz necessária nas sociedades
democráticas, seja nas próprias contas de água ou por outros meios de
comunicação em massa. Ninguém, por mais infantil que seja, fica brincando de
lavar calçadas! Urinas e fezes de animais estão espalhadas à vontade por todos
os lugares, o que sugere que seja também incluída na campanha de
conscientização. “Se a lavação se faz necessária, não haverá punição”, diz o
texto do projeto. Então, significa dizer que o morador não é capaz de julgar se
é necessário ou não lavar a calçada? A que ponto chegou! Solicitar autorização
à Cesama para uma lavação de calçada já é meio caminho andado para o
totalitarismo. A população está sendo bombardeada de tudo que é lado, pela
fúria punitiva das esferas de poder.
Evidente que essas não são medidas populares, que venham favorecer o
povo. Que fique bem claro que os vereadores não foram eleitos para massacrar a
população. É um erro considerar base de cálculo para 500 mil moradores
(população total de Juiz de Fora) desperdiçando água. E os que moram em
apartamentos? Na realidade, são muito poucos os que lavam calçadas, à exceção
dos estabelecimentos comerciais e das residências onde as calçadas são
verdadeiros depósitos de lixo e fezes.
Se em três municípios paulistas lei similar já está em vigor, não
significa que os outros sejam obrigados a seguir o mesmo caminho. Há métodos de
conscientização que não sejam pelas leis.
Quando alguém faz uma lavação é porque o local está sujo, imundo, e aí
entra em jogo a luta pela qualidade de vida e pela beleza da cidade. Um projeto
que penaliza todos, em detrimento de alguns que utilizam a água de forma
irracional, não merece crédito.
Entendemos, sim, que devemos economizar no consumo desse precioso
líquido, entretanto, há um limite que todos sabemos aonde chegar e não há
necessidade de intervenção do poder público para isso.
Que me desculpem os ambientalistas e vereadores, mas a criação desse
projeto significa uma gritante intromissão na vida dos cidadãos, característica
de regimes bolivarianos.
Celso Pereira Lara
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