segunda-feira, 22 de setembro de 2014

378-Semana do trânsito - JF

A campanha só faz sentido com a participação dos envolvidos.  A presença física do agente de trânsito nos sinais e faixas vermelhas, orientando motoristas e pedestres, é um grande inibidor de infrações e acidentes.

Os agentes de trânsito fiscalizam, orientam e monitoram o trânsito, podendo, inclusive, autuar. No que compete a orientar ou educar, o serviço deles poderia ter maior visibilidade e ser mais bem proveitoso, da mesma forma que as pretensões da campanha “Semana Nacional do Trânsito”. O que se tem visto é que os agentes costumam ficar entrincheirados, nas proximidades dos sinais e faixas vermelhas, apenas autuando os infratores, numa tarefa típica de agente secreto, ao invés de exercerem verdadeiramente a função de orientadores a serviço do povo.

Mudança de cultura se concretiza quando há cooperação de todos os envolvidos no trânsito em vias públicas. Da mesma forma que um guarda na porta de colégio, o agente posicionado de forma visível nos sinais ou nas faixas vermelhas denota a participação da autoridade no trânsito para orientar os motoristas e pedestres. Essa, sim, é a essência do papel fiscalizador, ao impor respeito pela presença e orientação a todos. Ao ficarem simplesmente anotando placas, em locais estratégicos, não estão educando nem orientando, muito menos advertindo, apenas multando.

A aplicação de multa pecuniária não é bastante para solucionar a questão. O verdadeiro exercício da função do agente de trânsito é no sentido pedagógico, para evitar que aconteçam atropelamentos e batidas de veículos, além de outras funções que lhe são atribuídas. Quantos acidentes ou infrações poderiam ter sido evitados, se o agente estivesse se posicionado de forma visível? A figura do agente poderia ser vista de outra forma pelo povo nas ruas da cidade, pois, afinal, desempenha um serviço de utilidade pública.

Os apelos para colocação de radares e sinais inteligentes mostraram o desespero da população por mais segurança, entretanto, restou constatado que as multas, por si só, mesmo “doendo no bolso” dos motoristas, não diminuíram os acidentes, conforme esperado. Tanto é que, recentemente, a Prefeitura se viu pressionada pela campanha, como alternativa para o enfrentamento do problema. Daí a conclusão de que a autuação por mecanismos eletrônicos ou manuscritos não se basta. É preciso que o poder público tenha presença ativa no trânsito, fazendo o trabalho de orientação e advertência, tanto para motoristas quanto para pedestres, ciente de que os resultados virão em longo prazo, e levando em consideração que a campanha deve ter, no mínimo, a frequência de uma semana por mês. Desistir, prematuramente, é declarar descrédito nessa iniciativa, a qual representa a única esperança de se viver em harmonia no trânsito.

Celso Pereira Lara 

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