A campanha só faz sentido
com a participação dos envolvidos. A presença
física do agente de trânsito nos sinais e faixas vermelhas, orientando
motoristas e pedestres, é um grande inibidor de infrações e acidentes.
Os
agentes de trânsito fiscalizam, orientam e monitoram o trânsito, podendo,
inclusive, autuar. No que compete a orientar ou educar, o serviço deles poderia
ter maior visibilidade e ser mais bem proveitoso, da mesma forma que as
pretensões da campanha “Semana Nacional do Trânsito”. O que se tem visto é que
os agentes costumam ficar entrincheirados, nas proximidades dos sinais e faixas
vermelhas, apenas autuando os infratores, numa tarefa típica de agente secreto,
ao invés de exercerem verdadeiramente a função de orientadores a serviço do
povo.
Mudança
de cultura se concretiza quando há cooperação de todos os envolvidos no
trânsito em vias públicas. Da mesma forma que um guarda na porta de colégio, o
agente posicionado de forma visível nos sinais ou nas faixas vermelhas denota a
participação da autoridade no trânsito para orientar os motoristas e pedestres.
Essa, sim, é a essência do papel fiscalizador, ao impor respeito pela presença
e orientação a todos. Ao ficarem simplesmente anotando placas, em locais
estratégicos, não estão educando nem orientando, muito menos advertindo, apenas
multando.
A aplicação
de multa pecuniária não é bastante para solucionar a questão. O verdadeiro
exercício da função do agente de trânsito é no sentido pedagógico, para evitar
que aconteçam atropelamentos e batidas de veículos, além de outras funções que
lhe são atribuídas. Quantos acidentes ou infrações poderiam ter sido evitados,
se o agente estivesse se posicionado de forma visível? A figura do agente
poderia ser vista de outra forma pelo povo nas ruas da cidade, pois, afinal, desempenha
um serviço de utilidade pública.
Os
apelos para colocação de radares e sinais inteligentes mostraram o desespero da
população por mais segurança, entretanto, restou constatado que as multas, por
si só, mesmo “doendo no bolso” dos motoristas, não diminuíram os acidentes,
conforme esperado. Tanto é que, recentemente, a Prefeitura se viu pressionada
pela campanha, como alternativa para o enfrentamento do problema. Daí a
conclusão de que a autuação por mecanismos eletrônicos ou manuscritos não se
basta. É preciso que o poder público tenha presença ativa no trânsito, fazendo
o trabalho de orientação e advertência, tanto para motoristas quanto para
pedestres, ciente de que os resultados virão em longo prazo, e levando em
consideração que a campanha deve ter, no mínimo, a frequência de uma semana por
mês. Desistir, prematuramente, é declarar descrédito nessa iniciativa, a qual representa
a única esperança de se viver em harmonia no trânsito.
Celso Pereira Lara
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