quinta-feira, 26 de junho de 2014

356-Copa da bola dividida

Um evento voltado exclusivamente para o luxo só poderia resultar na insatisfação da população. Principalmente porque os governantes não se cansam de repetir que o governo do PT está empenhado no combate à pobreza e à miséria.

A Copa do Mundo serve para mostrar o diferencial ainda existente e muito grande entre a elite tradicional e os setores populares. De um lado, um grito pelo gol da seleção brasileira; do outro, um grito dos excluídos.
O governo do PT faz eventos para a elite branca, mas afirma que a Copa é para o povo brasileiro e que deixará para ele um grande legado. Ou estaria deixando elefantes brancos, dispendiosos, custeados pelos contribuintes de impostos? 
O grande esquema de segurança no entorno dos estádios serve para garantir a realização do evento e proteger a todos que pagam altos preços para assistir das arquibancadas e dos espaços Vips a atração futebolística mundial. Garantir a Copa e proteger a elite dos manifestantes que estão contra os gastos bilionários com as arenas foram as principais preocupações das autoridades governamentais.
Entretanto, o forte esquema de segurança não foi suficiente para impedir a onda de vaias direcionadas à presidente da República, durante a cerimônia de abertura dos jogos, na Arena Corinthians. Foi um vexame transmitido ao vivo para o mundo.
Em meio a toda essa confusão e na tentativa de encontrar os verdadeiros culpados pela desonra à chefe do Governo, o ex-presidente acusa frontalmente a elite branca pelas vaias, e, na outra ponta, tentando desviar o foco, o vice-presidente do PT faz ameaças aos blogueiros e comentaristas de jornais, apresentando uma 'lista negra' dos nove jornalistas mais influentes, culpando-os pelas vaias no estádio. Mais um grande absurdo petista a ser registrado no livro dos recordes. Os jornalistas foram acusados de espalhar o ódio de classe e a mentira, ou seja, tudo o que o PT vem praticando há longos anos, para seguir a ideologia petista. Por acaso, a filósofa petista, Marilena Chauí, não estaria incitando o ódio de classe ao declarar que “odeia a classe média”? Ela enfatiza que “a classe média é uma abominação política, ética e cognitiva porque ela é ignorante”.    
Não há nenhum mérito quando Lula incrimina a “elite branca conservadora” pelas vaias e xingamentos, pois o PT é velho conhecido de todos e há anos vem fazendo justamente isso: insultando a inteligência do brasileiro. Todos sabem que foi o próprio PT quem sempre menosprezou a figura do Presidente da República ou Governo em geral, desrespeitando o ocupante do cargo com agressões verbais e até físicas. O que se pode concluir é que o PT está procurando motivos para enfeitar as suas campanhas vazias e poder atacar a oposição daqui para frente, porque não há nada confiável que se possa prometer à população para o próximo governo, a não ser utilizar-se mais uma vez do discurso demagógico de governar a favor dos pobres e para acabar com a miséria neste país, cuja intenção seria somente a de conquistar votos dos inocentes úteis. Teríamos, então, mais quatro anos de um governo alheio ao povo, atendendo exclusivamente às necessidades dos países dos companheiros. Afinal, o socialismo serve bem para essas coisas.
A pergunta que se faz no momento: quem vai entregar a taça ao campeão da Copa? Por medo de vaias, a FIFA não sabe quem irá entregar a taça. A que situação chegou! Após as vaias que recebeu na Cerimônia de Abertura da Copa do Mundo, o presidente da Federação Internacional não deve ser o escolhido para entregar a taça ao campeão. Normalmente, o presidente do país participa, mas Dilma também não tem grande apelo dos brasileiros.
Independente das vaias, a presidente não poderia aparecer por impedimentos da lei eleitoral, assim como o vice-presidente e o pessoal do Congresso. Legalmente, seria o presidente do STF, como presidente em exercício, ou algum senador que tenha cargo de Mesa no Senado e que não será candidato. Assobiar e chupar cana, ao mesmo tempo, é impossível. O imbróglio está criado!
Lembrando que, em 2007, Lula também foi alvejado por uma estrepitosa vaia, não no Itaquerão, mas no Maracanã, quando da Cerimônia de Abertura dos Jogos Pan-Americanos. Talvez seja por isso que ele ainda não tenha comparecido aos jogos! Vá ao estádio, Lula!


Celso Pereira Lara 

terça-feira, 24 de junho de 2014

355-Festival de barganhas políticas

O momento é propício para as alianças, enquanto a Copa do Mundo diverte a população no que ela mais gosta. No jogo político, que ocorre em paralelo, a disputa é pela formação do maior time possível.        


Na Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada dia 21, o presidente do partido, Rui Falcão, anunciou oficialmente a indicação de Dilma para a reeleição. A grande novidade é que, aproveitando-se da oportunidade, o PTB rompeu com a candidatura da presidente e anunciou o seu apoio ao tucano Aécio. Os discursos apresentados pelos petistas, naquele ato, não passaram de ataques ao Governo tucano, aos atuais partidos de oposição e à imprensa. Para o segundo mandato, a presidente anunciou algumas propostas antigas, não cumpridas no primeiro mandato. Ela ainda teve a coragem de afirmar: “Precisamos de mais oito anos para construir uma obra à altura dos sonhos do Brasil”. Que obra seria essa? Mais oito anos? Enfim, sempre mais do mesmo.  
Que mudanças a candidata vai propor em sua campanha eleitoral, se o PT esteve durante 12 anos à frente do governo federal e nada foi realizado, a não ser as vergonhosas obras das arenas para a realização da Copa no Brasil? E o povo está tão indignado com esse mundial de jogos e com a gestão desse governo, a ponto de vaiar a presidente em todos os eventos públicos em que ela está presente.
Neste ciclo de convenções partidárias tudo é possível: salada mista ou bacanal eleitoral não importa para os que preferem os interesses acima de tudo, deixando de lado as ideologias do partido e a representatividade do povo. Aproveitem enquanto a bola está rolando no gramado!
Com o PMDB rachado, parte vai apoiar o PSDB, enquanto a outra parte permanece fiel ao apoio da reeleição da presidente; no governo de São Paulo, o PSDB indicou um vice do PSB; o PSB jura que vai apoiar o tucano Aécio; no Rio de Janeiro, o PMDB da base da presidente fechou com o PSDB; o petista Lindbergh vai apoiar o Romário, do PSB, para o Senado; o democrata Cesar Maia vai concorrer ao mesmo posto com o apoio do governador peemedebista, Pezão. Paulinho, da Força Sindical, declara apoio ao tucano Aécio. Isso é apenas uma amostra do que está rolando fora das arenas. A política é mesmo muito sem-vergonha!
Não chega a ser surpreendente o vazamento do plano B do PT: nas proximidades do dia das eleições, a candidata à reeleição passaria mal e se internaria para tratamento de sua doença (sendo verdade ou não), e Lula, então, seria indicado pelo PT como sendo o potencial candidato a substituí-la. Eis uma boa razão para a concretização do "volta Lula". E, para colocar mais pimenta malagueta nessas eleições, Lula ameaça: “Essa campanha está correndo o risco de ser uma campanha violenta”. Estaria sugerindo truculências? Sendo assim, ficaria bem ao gosto dos radicais petistas.
Pelo visto, a Convenção do PT deve ter sido um fiasco, pois a cúpula do partido está no presídio. Coisas da política!


Celso Pereira Lara 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

354-Vaias na Copa

Se a entrada para a abertura dos jogos, na Arena Corinthians, fosse permitida somente aos participantes do Bolsa-Família, ou então somente aos petistas, será que ao menos um deles teria a coragem de vaiar a presidente?

As opiniões que reprovam as vaias que a presidente recebeu na abertura do Mundial de Futebol ganhariam adesões se fossem em outro contexto. Entretanto, há, sim, que ser levada em conta a situação em que o país se apresenta. Um governo que ainda não cumpriu sequer uma de suas promessas de campanha, além de muitas outras ao longo do mandato; que se preocupa somente em efetuar doações a países comunistas; que prefere construir porto em Cuba; que conseguiu quebrar a Petrobras; que gastou mais de 30 bilhões em obras de arenas; que mantém fortes ligações com países ditatoriais; mergulhado de ponta-cabeça em corrupções, e pela afronta ao STF e pelos deboches das condenações dos mensaleiros petistas; enfim, um governo que insistentemente luta para calar de vez a mídia não merece ser respeitado pela população. Não foi com essa finalidade que os brasileiros elegeram o PT. Esse não é o governo democrático tão esperado, por isso está sendo rejeitado pela maior parte da população.
A produção de livros literários contendo expressões de baixo calão é inaceitável pela sociedade, pois eles são considerados ‘lixo literário’. Portanto, não se admite apologia a palavrões nos círculos de livros. Já em outras áreas, como no trabalho, no restaurante ou nas ruas, o uso de impropérios é tão comum que na maioria das vezes a pessoa que profere tais palavras nem se dá conta disso. É tudo muito natural.
Como referencial, podemos citar a atriz Cacilda Becker, uma das defensoras do palavrão: “Quando o palavrão vem dentro de um espetáculo de cultura e atende às necessidades indiscutíveis de esclarecimento do público – em todo o Brasil normalmente culto – faz parte da obra de arte e é absolutamente justificado. Condená-lo é uma atitude, se não hipócrita, ao menos ignorante”.
O escritor Graciliano Ramos, do alto de seu mau humor, teria dito “outrossim é a puta que o pariu”. Fato que teria ocorrido na redação do Jornal da Manhã, ao revisar o texto de um repórter. Verdade ou lenda tem muito a ver com o seu temperamento de pavio curto.
Na Folha de São Paulo, em 8 maio 1993, “Lula xinga o presidente e Eliseu em MG”: ”todo mundo sabe que o ministro da Fazenda, Eliseu Resende, é um ‘canalha’ que tem compromissos com empreiteiros”. Em tom de decepção, chamou Itamar Franco de ‘filho da puta’. Posteriormente, declarou que não teve intenção de ofender o presidente.
Entretanto, em 13 junho 2014, Lula, em evento do PT no Piauí, referindo-se ao xingamento à presidente, declara: “Educação se recebe dentro de casa. Eu nunca tive coragem de faltar com respeito a um presidente da República. Isso é coisa da elite branca e rica de São Paulo”.
“Os palavrões transmitem emoções melhor do que quaisquer outras palavras, por isso eu diria que eles são perfeitos para manifestações e protestos”, diz a especialista Melissa Mohr. Segundo Melissa, esse tipo de palavra “faz com que as pessoas compreendam quão forte é seu sentimento sobre algo, o quanto aquilo significa para elas”. Além disso, estudos têm mostrado que os xingamentos fazem as pessoas se sentirem unidas, como parte de um grupo. “São formas de expressão que ajudam os manifestantes a se sentirem unidos contra o que estão protestando”, diz ela.
O comentarista do SBT, Paulo Eduardo Martins, vai mais longe: “Vaiar chega a ser um ato de civismo: vaiar, não a Dilma mulher, mas a Dilma que representa a incompetência do governo e o autoritarismo que o petismo que nos impor. A cada vaia que Dilma e o PT recebem, a liberdade respira e o país fica mais vivo”.
A verdade é que os palavrões não nasceram por acaso. São recursos usados para prover expressões que traduzem com maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. Eles são uma verdadeira válvula de escape. Há o entendimento de que, quando bem aplicado, naturalmente, o palavrão serve.
Há uma frase muito antiga, que expressa a realidade de um governo: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito” (Cardeal Retz).
O palavrão é igual a qualquer outro termo de uma determinada língua, e talvez o mais fiel dos vocábulos de um idioma, porque ele vem do fundo dos sentimentos e representa um basta na situação. É, geralmente, a última palavra.
As vaias em forma de xingamento significam uma explosão de sentimentos acumulados pelos acontecimentos imperdoáveis deste governo, e a Copa é a grande oportunidade para externá-las.
A indignação tomou conta da maioria e não dá para esperar o dia das eleições. Respeito e educação deveriam partir do governo para o povo. 


Celso Pereira Lara 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

351-A Copa em jogo

O espetáculo que a Copa pretende proporcionar ao mundo, com as disputas entre as seleções de futebol, não para por aí. A Copa também estará em jogo, mesmo sem bola.  

Já se pode contar como certo que as manifestações estarão presentes nos estádios, participando também do evento, mas do lado de fora, nas ruas.
A seis dias do início da competição, as pesquisas mostram que há um descontentamento crescente com a realização dos jogos da Copa no Brasil, devido aos gastos bilionários com as obras, muito além das expectativas. Se as obras das arenas, que são de interesse da FIFA, foram concluídas dentro do prazo, por que então as obras de interesse do país e da população ainda nem começaram?
Os jogos da Copa terão início nos gramados das arenas, pelas disputas de gols, enquanto as manifestações de protesto fazem o seu jogo político nas ruas, disputando espaço com os policiais. Nos estádios, o campeonato é para definir a melhor seleção de futebol do mundo; nas ruas, os movimentos populares servem para mostrar ao mundo que o país está cheio de problemas. Nesse campeonato, o que está em jogo é a Copa!
O mundial de futebol que a seleção brasileira estará disputando não deveria acontecer no Brasil. As necessidades dos brasileiros foram deixadas de lado, para atender prioritariamente o compromisso com a Federação Internacional. Por não aceitar tal situação, o povo deverá mostrar seu descontentamento durante o evento.
Não importa se o PIB virou pib e o país não cresce; também não importa se há cinco anos a Petrobras era a 12ª maior empresa do mundo pelo valor de mercado e agora ocupa a 120ª posição. Ou se a compra da refinaria em Pasadena “não foi um bom negócio”. Pouco importa se a produção industrial está em queda, ou se as grandes empresas estão falindo ou deixando o Brasil. Se o desemprego está em alta ou se há inflação ou estagflação. A meta a ser atingida é apenas um detalhe, já que a equipe econômica não acerta uma e nega que existem problemas.
A respeito dos maus desempenhos na economia, as respostas dadas pela presidente são de lascar:  "a inflação está sob controle, o problema são os preços", ou, então, ela diz “não saber as razões de crescimento pífio do país”. Ela erra quando afirma o que pensa saber, e acerta quando declara não saber. Melhor seria dizer “só sei que nada sei”.
Dessa forma, conseguem empurrar os problemas até o final do mandato, para novamente prometer uma economia estabilizada, moeda forte, controle da inflação, o país voltará a crescer, geração de emprego e renda, educação e saúde de qualidade etc., que só convencem mesmo os petistas fanáticos pelo socialismo bolivariano.
Com a aproximação dos jogos da Copa, a disparada generalizada dos preços é inevitável, forçada pelo clima de festa e pela expectativa de chegada de 300 mil turistas. Nesse contexto, é logico que a variação de preços se refletirá na inflação, corroendo o salário do trabalhador e provocando nova onda de greves pela recuperação salarial, principalmente no setor público. Essa também é a parte negativa para um país que se propõe sediar a Copa do Mundo.
Possivelmente, haverá muitas greves após o Mundial, não só pressionadas com as proximidades das eleições, como também para buscar os reajustes ainda neste final de governo, que se encontra em queda livre e sem a garantia de reeleição.
Um fato que chega a ser surpreendente! Para minimizar o volume de protestos contra a Copa, e para dizer que atendeu à voz das ruas, ou para tentar retirar o item "educação" das faixas que serão exibidas pelos manifestantes, o governo pediu urgência e a Câmara concluiu, no dia 3, a votação do Plano Nacional de Educação. O texto prevê um investimento na ordem de 10% do PIB. Um projeto demagógico, eleitoreiro, que estabelece metas e estratégias para o setor durante 10 anos (2015 a 2024). Será que isso é suficiente para conter a indignação da população pelos doze anos letárgicos, ou o que dizer das atuais greves dos professores públicos que lutam por melhorias salariais e condições dignas de trabalho?
Também não importa que a bola já esteja rolando fora das arenas, e que o comandante do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos tenha pedido para sair, prevendo grandes tumultos no Rio de Janeiro, ou se os black blocs atuarão orientados pelo PCC.
Segurança é um dos itens constantes da pauta de reivindicações. As forças de segurança, estaduais e federais, estarão concentradas nos estádios onde ocorrerá o campeonato, para garantir o evento que vem sendo rejeitado pela metade dos brasileiros. O governo popular do PT está preparado para uma eventual batalha sangrenta. Foram convocados policiais militares, federais, rodoviários federais e soldados do Exército, enquanto a população fica totalmente desprotegida e entregue à própria sorte. Se o povo já vinha reivindicando mais segurança no seu dia a dia, imaginem nos dias de jogos? O gigantesco esquema policial chega a ser assustador, mostrando que a situação no Brasil está dominada pela criminalidade.
A Copa, ao menos, serve para revelar que o país ainda não está preparado para sediar um evento mundial, tanto é que várias obras inacabadas só serão concluídas sabe-se lá quando! Até em Brasília, o aeroporto fica submerso quando chove. É certo que os turistas sairão decepcionados do Brasil, confirmando a fama de país de elefantes brancos, de falta de cumprimento dos compromissos de interesse do povo.
Outro fato também é certo: nenhum brasileiro é contra a nossa seleção de futebol. O povo gostaria que, antes de tudo, o Brasil fosse campeão em saúde, segurança e educação, e lógico no padrão FIFA. O discurso oficial do governo federal é que esta será a Copa das Copas, mas, na outra ponta, corre-se o risco de acontecer a Manifestação das Manifestações durante o torneio.
Se a Copa é considerada uma decepção, vergonhoso ou falta de pudor é ter pago 140 reais aos operários para aplaudir a presidente durante a cerimônia de inauguração do BRT Transcarioca. Haja dinheiro público para sustentar o Programa Bolsa Plateia até as eleições! A população já está saturada com esse governo que só sabe consumir dinheiro público e vender ilusões, cujas verdadeiras intenções estão voltadas para o golpe bolivariano. Afinal, ninguém é de ferro e não quer mais sofrer humilhações. Que venha a Copa com os seus robocops!

Celso Pereira Lara 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

350-A Copa que não é nossa

“O legado que a Copa do Mundo 2014 deixará para o Brasil... O brasileiro vai comprar uma cervejinha e torcer pela seleção”.

Assim como a FIFA estará cumprindo, neste 2 de junho, a sua agenda esportiva, ao entregar a taça do torneio à presidente do Brasil, a agenda de manifestações populares de rua já foi divulgada na internet. E a entrega da taça, no Palácio do Planalto, possivelmente, não ficaria de fora da agenda de protestos.
Em cada arena deverá ocorrer movimentos que reivindicam o atendimento de várias pendências do governo com a população. Lógico que o momento é propício para mostrar a indignação do povo, que não aceita os gastos bilionários com a Copa, em detrimento das necessidades básicas dos brasileiros. Se a Copa do Mundo 2014 não estivesse sendo sediada pelo Brasil, as manifestações não estariam acontecendo, e o governo da presidente não estaria sofrendo tanto desgaste político, que certamente se refletirá nas urnas. Evidente que não só por isso, mas também pela desordem econômica, jurídica e ética.
A revolta reprimida do povo será externada nas ruas, durante a festa que o governo preparou com todos os requintes, não para os pobres, mas para a classe média - que uma socióloga petista tanto odeia -, e a classe rica. O evento considerado uma festa do povo, portanto, não é para todos. O povão ficou excluído. Melhor teria sido não aceitar a proposta de sediar a Copa. Mas, se a seleção brasileira for campeã, alguém teria a coragem de dizer que valeu a pena ter gasto mais de 30 bilhões de reais para a construção e reforma das arenas? Que benefícios os estádios trarão para o país, para compensar esse investimento bilionário? O legado que a Copa vai deixar só servirá para aumentar a lista de elefantes brancos brasileiros.
Na época em que foi anunciado que o Brasil seria a sede da Copa do Mundo 2014, o governo do PT ainda estava no início do segundo mandato, e o povo, muito esperançoso, acreditava em todas as promessas de Lula. Mas o que ocorreu até hoje é que nada foi cumprido, a não ser o aparecimento de uma gigantesca onda de corrupções, algumas das quais resultaram em condenações de prisão da cúpula do governo. São 12 anos de governo petista cuidando apenas do aparelhamento do Estado, visando a perpetuação no poder.
A aceitação da Copa, no Brasil, pelo ex-presidente Lula, foi uma decisão acima de tudo política, visando o aumento da popularidade do governo petista, pois ele considera que os gastos são secundários, o que importa mesmo é garantir os votos.
Ontem, no Rio de Janeiro, a presidente, mostrando-se muito popular, chegou a tocar tamborim com a bateria da escola de samba União da Ilha, na cerimônia de inauguração do BRT Transcarioca, enquanto, na rua, um grupo de manifestantes protestava contra a Copa. No evento, eram mais de 150 trabalhadores a aplaudir a presidente, mas ela só não imaginava que os operários deixariam vazar que cada um teria recebido 140 reais para permanecer na plateia, além de café da manhã e almoço. Apesar de ela proibir a presença da imprensa, não conseguiu evitar que tal fato virasse notícia. Plateia comprada é uma prática petista!
Mesmo contra a sua vontade, já virou rotina na agenda presidencial: em todas as cerimônias, ultimamente, as manifestações de protesto também estão presentes.
A toque de caixa, por causa da chegada do presidente da FIFA, duas obras inacabadas foram inauguradas no domingo: a Transcarioca e as reformas dos terminais 1 e 2 do Galeão. No Brasil é assim: para dar ibope, inaugura-se duas vezes o mesmo empreendimento.
Em Minas Gerais, bem ao estilo da diplomacia petista, ao final do discurso dirigido aos alunos do Pronatec, a presidente disse que “o brasileiro vai comprar cervejinha e torcer pela seleção na Copa”. Que fique bem claro: ninguém é contra a seleção brasileira, mas numa Copa rejeitada pela maioria dos brasileiros, quem vai comprar uma cervejinha para comemorar o quê?

Celso Pereira Lara