domingo, 24 de março de 2013

178-Os Trotes


A prática do trote é um contraste com a evolução do homem

Em sentido amplo, o trote é o maior e mais explícito saco de maldades que ainda existe. E a sua prática maquiavélica, que nunca foi uma brincadeira saudável, só encontra comparação com a época da ditadura “tortura nunca mais”. Por isso, ele é abominado pela sociedade. Quando um fato desagradável ou um acidente fatal acontece por causa de trote estudantil, diversas opiniões aparecem nos noticiários de jornais criticando os atos violentos e ao mesmo tempo sugerindo que esses eventos medíocres, apesar de tradicionais, deveriam acontecer sem violências. Apenas lamentam, mas nada propõem para a sua extinção. A cada ano surgem acontecimentos trágicos e inéditos, em virtude da grande criatividade que os universitários veteranos possuem para esse tipo de delito. Isso mesmo! Trata-se de crime praticado contra a honra e a moral dos alunos recém-chegados à universidade, imbuídos de esperanças para um futuro promissor. Definitivamente esse formato medieval não é o ideal para marcar o ingresso de estudantes no ensino superior. Há formalidades para isso. O trote estudantil não é uma exclusividade brasileira, muito menos foi inventado no Brasil. Seu histórico pode ser traçado a partir do começo das primeiras universidades, na Europa da Idade Média. Todavia, o Brasil tem a fama de “importar” tudo o que não presta: armas, drogas e know-how dos trotes. São também consideradas brincadeiras maldosas, sem as quais os trotes perderiam toda a essência e deixariam de existir. Por isso, não se trata de fatalidade enquanto consequência de trotes. Para amenizar o caráter de trote, que carrega o estigma de "inconveniente", foi criado o trote solidário. Dessa forma, aumentam-se os tipos de trote: trote estudantil (tradicional e perverso); trote solidário ou cidadão (coleta de alimentos e doação de sangue); trote telefônico (SAMU, Polícia, Bombeiro). O trote solidário deveria chamar-se "Campanha da Solidariedade Universitária" para ficar mais coerente com os seus objetivos. Quanto ao trote telefônico, todos já sabem que causam sérios transtornos ao poder público e prejudicam a população nos atendimentos de urgência. O trote estudantil representa um ritual de violência e agressão físicas contra os calouros, muitos dos quais são forçados a faltar os primeiros dias de aula, comparecendo somente após o término das sessões de torturas aplicadas pelos estudantes mais antigos. Ao calouro que se recusar a participar das atividades são endereçadas várias represálias: agressões verbais e físicas, bullying e outras ameaças. Isso, no mínimo, sugere que os veteranos agressores respondam pelos crimes de maus-tratos e tortura. A alegação de que o trote é uma tradição, e que por isso não poderia ser extinto, conta com o apoio da maioria dos universitários, veteranos e calouros, que sobreviveram a esses massacres. Inclusive, muitos pais também apoiam essa forma de recepcionar a calourada. Para reflexão, cabe uma pergunta: será que os pais das vítimas fatais concordariam com a continuidade dos trotes estudantis, mesmo considerando que eles são uma tradição? Em nome da tradição, praticam-se os mais cruéis atos de humilhação e barbárie com o seu semelhante ou colega universitário. Antigamente, diziam que as práticas criminosas eram produto da falta de instrução ou conhecimento cultural. Mas hoje em dia verifica-se que a ocorrência dessas práticas independe do nível de escolaridade, pois justamente nas universidades, onde deveriam primar pelo exemplo de comportamento social, acontecem casos inacreditáveis que poderiam colocar em xeque a confiança ou a capacidade profissional de muitos alunos em formação superior. Assim como a criminalidade urbana, os trotes nas universidades são também muito preocupantes e deveriam fazer parte do seminário "Violência urbana em Juiz de Fora: o que deve ser feito?”. Por conseguinte, seria bem-vinda uma proposta de criação de lei, em regime de urgência, com origem nas universidades, a ser encaminhada ao governo federal, com vistas à proibição de trote estudantil e punição severa aos infratores. No caso das medidas proibitivas ao trote, existentes em algumas universidades, a prevalência da tolerância zero já seria um primeiro passo. A extinção radical do trote estudantil proporcionaria maior tranquilidade a todos: educadores, alunos e pais.   

Celso Pereira Lara 

sábado, 16 de março de 2013

177-Vereadores: aluguel e acúmulo

A política do salve-se quem puder
ainda predomina na Câmara
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E a festa com o dinheiro público continua. Cinco dos 19 vereadores de Juiz de Fora usaram parte da verba indenizatória para pagar aluguel e despesas de escritório de representação parlamentar, valendo-se do projeto de resolução, aprovado no início da atual legislatura, que permite o ressarcimento também nos casos de locação de imóveis. Já começaram o ano muito bem. A cada mês nova notícia dando conta de que os interesses próprios dos reeleitos ainda prevalecem na Câmara, apesar da nova legislatura. Quanto mais se aproximam dos porões do Legislativo, novas descobertas são reveladas. Quatro vereadores acumulam funções e salários no Executivo. O acúmulo de cargos na administração pública, embora haja algumas brechas na lei, nunca foi uma prática aceita do ponto de vista moral e ético. Não se pode chupar cana e assobiar ao mesmo tempo. Há o conflito de horário nos serviços. A opção para se candidatar a Vereador já seria motivo de afastamento do cargo em serviço público. Por que alguns providenciaram o afastamento? Cabe aos legisladores, em nome da moralidade, regularizar essa distorção, solicitando o imediato licenciamento de suas atividades anteriores. A transparência que antes era tão falada pelos vereadores até agora não se concretizou. Puxa, como está difícil a situação política neste país! E nesse contexto a cidade de Juiz de Fora não é exceção. Quando se pensa que as eleições de 2012 marcaram o início de um novo rumo na política, logo em seguida chega a frustração ao constatar que nada mudou. A prevalência de atitudes mesquinhas, em benefício próprio, não condiz com a natureza ética. Enfim, são os eleitos pelo povo. 

Celso Pereira Lara 
Texto publicado na seção "Dos Leitores" da Tribuna de Minas de 20.03.2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

176-Tolerância zero na violência

Dilma pede tolerância zero em relação à violência contra a mulher.  E quanto à violência urbana?

No Palácio do Planalto, a presidente Dilma participa do lançamento do Programa Mulher, Viver sem Violência. O programa prevê a construção de centros chamados Casa da Mulher Brasileira, com investimento inicial de 13 milhões. Segundo ela, trata-se de cumprimento de promessa de campanha, feita em seu discurso de posse. Tudo bem que cumprir uma promessa de campanha tem o seu valor. Todavia, a violência não é só contra a mulher. A violência urbana é grave em todos os estados do país. É um problema crônico, nacional, que deveria ter empenho prioritário do governo federal e ser combatido com muito rigor. Em Juiz de Fora, temos exemplos de inciativas conjuntas, poder público e sociedade, com o objetivo de encontrar uma solução para conter o aumento da criminalidade ou, talvez, diminuir bastante. Iniciada no dia 14, a série jornalística da Tribuna "Basta de Violência" aborda entrevistas com autoridades públicas. No mesmo dia, inicia-se o seminário "Violência urbana em Juiz de Fora: o que deve ser feito?”. Serão três dias de exposições de fatos e ideias. A população desta cidade aguarda ansiosamente pelos resultados, acreditando que possam surgir medidas eficazes de combate à violência. E que as medidas a serem tomadas sejam também de tolerância zero. 

Celso Pereira Lara

sábado, 9 de março de 2013

175-Gangs se enfrentam em UPAs


Destruição e brigas de gangs em Unidades 
de atendimentos médicos

As Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) foram criadas pela parceria entre os governos federal, estadual e municipal, com o objetivo de aliviar a demanda pelos serviços dos hospitais públicos e das Unidades Básicas de Saúde, visando também um atendimento mais próximo da população nos casos de urgência. As UPAs deveriam ser mais respeitadas pelos moradores da região. O apoio da comunidade se faz necessário, mesmo porque os beneficiários são os próprios moradores locais. Entretanto, o que vem acontecendo é exatamente o contrário: gangs se enfrentando dentro das novas unidades médicas, numa verdadeira demonstração de vandalismo e desacato ao poder público. A convivência com esse estado de coisas não é nada saudável, tanto por parte dos pacientes quanto por parte dos médicos e funcionários administrativos. É preocupante, estressante e causa medo, porque não se vislumbra uma solução imediata ou em curto prazo. Afinal, as pessoas frequentam as novas unidades porque precisam trabalhar ou porque precisam de atendimentos médicos para cuidar de sua saúde e não para se tornarem vítimas de gangs em conflito. Recentemente, o Fórum do centro de Juiz de Fora foi alvo de invasão por gangs em briga, devido ao fechamento do posto policial na Praça Halfeld. As UPAs necessitam, com urgência, em forma de anexo, de um posto policial ativo 24 horas por dia, inclusive sábados, domingos e feriados. Dessa forma, a presença da segurança pública permitiria que as UPAs pudessem se tornar mais bem aparelhadas e, possivelmente, ter o seu corpo clínico aumentado. Saúde e segurança são deveres do Estado e direitos do cidadão!

Celso Pereira Lara

sexta-feira, 8 de março de 2013

174-Dilma desonera a cesta básica

No Dia Internacional da Mulher, Dilma anuncia 
novidades na cesta básica

A presidente Dilma acaba de anunciar em rede nacional de rádio e TV a desoneração total de produtos da cesta básica. A medida já entrou em vigor nesta sexta-feira, dia 8, com a publicação em edição extra do Diário Oficial da União. A partir de agora, os impostos federais deixarão de incidir sobre um conjunto de 16 itens. Notadamente, a intenção seria baixar os preços desses produtos para a população. “Com esta decisão, você, com a mesma renda que tem hoje, vai poder aumentar o consumo de alimentos e de produtos de limpeza, e ainda ter uma sobra de dinheiro para poupar ou aumentar o consumo de outros bens”, afirmou Dilma. Entretanto, como se poderia ter a certeza de que os preços dos 16 itens baixarão, realmente, se os preços não são tabelados? Há sempre maneiras de os comerciantes enganarem o povo e tudo ficará como antes. O governo diz que abrirá mão de 7,3 bilhões em impostos ao ano. Embora a notícia tenha sido ótima para o povo, por acaso não seria muito dinheiro desperdiçado, considerando que os mais favorecidos seriam os empresários, que deixariam os produtos com os mesmos preços? Possivelmente, os consumidores não perceberiam nenhuma diferença no valor dos produtos que compõem a cesta básica, comprovando que a desoneração favoreceria apenas aos empresários. Seria uma excelente medida de economia popular se fosse no período em que os preços eram tabelados. 

Celso Pereira Lara

quinta-feira, 7 de março de 2013

173-Pichação é vandalismo

A pichação nada mais é do que uma forma infantil
de se expressar à margem da lei.

Enquanto se discute a violência urbana em Juiz de Fora, a cidade enfrenta uma nova onda de vandalismo: as pichações urbanas. São atitudes de jovens, descompromissados com as regras da sociedade, que querem mostrar os seus descontentamentos ou provar que podem praticar atos ilícitos com a garantia da impunidade.  Seriam atos de rebeldia, de inocência ou com a certeza de que nada aconteceria em virtude de seu anonimato? Nada a ver com a capacidade artística de grafitar. Considera-se pichação o ato de escrever ou rabiscar sorrateiramente em patrimônios, público ou privado, utilizando-se de tinta spray. É uma forma transgressiva, predatória e grosseira, sem valor artístico. Ao contrário, a grafitagem requer elaboração e estética, e pode ser feita em locais permitidos pelo poder público ou contratada por terceiros. Mas o que leva um jovem a cometer vandalismos?  A lei do vandalismo deveria sofrer alterações mais rigorosas? As escolas poderiam contribuir com mais essa orientação? No Brasil, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental, artigo 65 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que estipula pena de detenção de 3 meses a 1 ano, e multa, para quem pichar, grafitar ou por qualquer meio sujar ou danificar edificação ou monumento urbano.

Celso Pereira Lara

Texto publicado na seção "Dos Leitores" da Tribuna de Minas de 28.04.2013.

sábado, 2 de março de 2013

172-Lula admite rompimentos com o PT


Num ato de arrogância, o todo poderoso dá a entender que 
não precisa de alianças para a reeleição de Dilma

O ex-presidente Lula, cabo eleitoral da candidata Dilma, não se conteve com a articulação estratégica, partida de Eduardo Campos. Em vista disso, e com o objetivo de blindar a candidatura da petista, Lula prefere espalhar as brasas da fogueira, que já deu sinais de que elas poderão arder muito mais até o dia das eleições. Para isso, Lula utilizou-se de expediente, em forma de recado direto, direcionado ao forte candidato Eduardo Campos, numa reunião fechada do Diretório Nacional do PT, em Fortaleza: "Se alguém quiser romper conosco, que rompa".  É o Lula, do alto de sua arrogância, ameaçando que não mais aceita conviver com os pequenos partidos aliados, na medida em que estes já começam a incomodar. Lula mostra orgulho em governar com uma grandiosa base aliada, mas esquece que nas próximas eleições a tendência seria eleger candidatos e partidos políticos que não estejam envolvidos nos recentes escândalos no governo. E os movimentos populares pelo fim da corrupção já estão por toda parte do Brasil, para confirmar isso. É evidente que Campos necessita, primeiramente, romper com a coalizão do governo, para se lançar candidato à Presidência da República. Entretanto, pelos seus planos, somente em 2014 seria de fato lançada a sua candidatura, para então romper com o governo. É possível que, a partir desse momento, já que os ânimos estão exaltados, o futuro candidato pelo PSB, Eduardo Campos, possa antecipar a data do seu projeto de oficialização de sua própria candidatura.

Celso Pereira Lara