segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

682-Pecar sem medo

O que antes era considerado pecado, hoje é parte essencial do currículo de políticos. 

A corrupção é um dos piores pecados ou um pecado grave, motivado pela ganância e pelo egoísmo, e parece que já não há mais vergonha de carregar a pecha de corrupto durante a vida toda. Pelo contrário, consideram-na um orgulho, quiçá um diploma para ingresso mais rápido na carreira política. Não que todos sejam iguais. Lógico, exceções existem!

Muitos políticos da atualidade se orgulham de ter uma ficha repleta de pecados, e quanto maior as ocorrências, melhor para a garantia de seu futuro. Logo será escolhido para integrar uma equipe de governo.

O surgimento desse tipo de político se deu a partir de 2005, quando os governos se utilizaram de subornos milionários para aprovação de projetos políticos de grande utilidade para eles próprios, da Câmara e do Senado, não para a sociedade.

Foram mais de vinte anos de governos reeleitos, e sempre com as mesmas figuras que acumulavam pecados. E não se envergonham de suas artimanhas que denigrem o seu próprio caráter. Apresentam-se nas entrevistas televisivas como se estivessem em estado de pureza espiritual, e enfrentam cara a cara os seus adversários. Haja cinismo!

E não demora muito para se envolverem em novas maracutaias, e cada vez maior o volume de dinheiro que arrancam dos cofres públicos! Parecem ratos da madrugada, invadindo a cozinha de restaurantes precários de higiene, à procura de alimentos.

O pior é que os crimes vêm à tona, com os devidos nomes, cpf e partidos políticos, e logo se cria uma CPMI, como se dessa vez fosse para valer, mas como sempre tudo acaba em pizza. E, se por acaso algum criminoso for para a cadeia, logo em seguida ele será agraciado com o alvará de soltura concedido pelas autoridades supremas do Judiciário brasileiro. Um belo exemplo de combate à corrupção!

Antigamente, era muito vergonhoso um político do alto escalão ficar envolvido em crimes de corrupção. Ou ele renunciava ao cargo ou era convidado a renunciar. Mas o tempo a tudo corrói. Atualmente, ele é transferido para um cargo bem superior, sem medo de pecar. Pasmem!

Ultimamente, a conduta de representantes públicos tem deixado muito a desejar. A formação de acordos e governabilidade tem sido na forma de barganhas. Desvio de verbas e outras ilegalidades alimentam a percepção de que a classe política é, de modo geral, pecadora.

Há uma desconfiança popular generalizada em relação aos políticos e ao sistema político como um todo, levando a concluir que a busca pelo poder depende de compromissos imorais. Inclusive com diálogos cabulosos.

Celso Pereira Lara


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