No Brasil, não há crises.
Tudo vai muito bem: a Educação, a Saúde, a Segurança, os transportes urbanos, os
aeroportos, as estradas, as obras públicas paradas, a transposição do Rio São Francisco, os estádios da
Copa!
A presença da presidente do Brasil na
inauguração do porto de Mariel, em Cuba, dia 27 de janeiro, causou furor no
mundo jornalístico e nas redes sociais. Também, não é para menos, não fosse o
rolezinho feito em Lisboa, com a sua humilde comitiva composta de 45
convidados. A parada na capital de Portugal, que não constava da agenda
oficial, aconteceu após deixar o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça,
em direção a Havana. A equipe que compõe o rolezinho ocupou 25 quartos de dois
hotéis mais luxuosos em Lisboa. Lógico, é muito natural que os socialistas de
plantão no poder também gozem de privilégios e requintes desfrutados pelos
capitalistas, não é mesmo? Inclusive, comemoraram e bebemoraram à vontade na
escala para abastecimento de combustível das duas aeronaves da FAB, com um almoço em
grande estilo, regado a vinhos: uma bacalhoada no melhor restaurante da
capital. Até aqui não causa tanto espanto, apesar de um partido político (PPS)
ter entrado com representação na Procuradoria Geral para abertura de
investigação, por considerar uma despesa "desnecessária e divorciada do
interesse público", e que poderia caracterizar ato de improbidade
administrativa. O que causa maior espanto, e ainda nenhum político se
manifestou, é o fato de um governo que se diz democrático manter estreitas
relações com um país comunista. Algo errado, não! Primeiro, uma ajuda
financeira feita pelo BNDES para construção de um moderno terminal de
contêineres na ilha caribenha. Depois, a chegada de médicos cubanos ao Brasil.
Desde o lançamento do programa "Mais Médicos", Cuba já enviou 5.378
médicos para atuar nas periferias de grandes cidades e no interior do país. E o
Brasil envia, mensalmente, a quantia de R$ 53.780.000,00 (cinquenta e três
milhões, setecentos e oitenta mil reais)
para Cuba (R$10mil, cada médico) solidariamente. Segundo a presidente em
seu discurso, "é uma prova efetiva de solidariedade e cooperação que
preside a relação entre os nossos países". Além de tudo, a presidente, em
seu discurso, anunciou que o BNDES também financiará a segunda etapa de
construção do porto, com US$ 290 milhões. Sabem-se lá quantas etapas serão
necessárias, mas uma coisa é certa: se reeleita, as transferências financeiras
para Cuba irão continuar, até deixar o BNDES sem cueca. Para ela, o porto de
Mariel permanecerá "como um símbolo dessa amizade verdadeira". Ainda
no discurso, a presidente classificou de 'injusto' o bloqueio comercial ao país
caribenho. Coitadinho do país comunista. Sobrevive de esmolas desde a
revolução.
Celso Pereira Lara
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